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Conto

1900

Presságios, memórias, dejavús. Sonhos sempre tem uma mensagem para nos trazer.

Adriana Monteiro
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1900
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Introdução


Já percebeu como as pessoas vão e vem na sua vida?

Como tem pessoas que você teve uma ligação muito forte e que, mesmo quando vão embora voltam, nos seus sonhos mostrando como elas estão? Ou até mesmo quando você sonha diversas vezes com alguém que não conhece em várias situações… Você já pensou que essa pessoa possa existir muito além dos seus sonhos?

Sonho sempre com alguém que não conheço, mas eu sei que é meu amor de todas as vidas.

Várias pessoas vão e vem com uma facilidade que, as vezes, parece que nunca foram embora. Muitas quando chegam, parece que já conheço desde sempre.

O que seria tudo isso? Laços traçados além da vida ou apenas coincidência? 

Capítulo 1 - Início de 1900

O Ano era 1900, tempo chamado de Era Eduardiana, ou para muitos, a Belle Époque. A cidade era Paris, a cidade dos sonhos, das luzes e dos mistérios. 


Paris, no ano de 1900, foi bem movimentada. Durante todo o ano, mais precisamente entre abril e novembro, tivemos a exposição universal que mostrava dentre outras coisas, o início da art nouveau com toda a sua beleza além de várias inaugurações. Para toda essa festa, foram movimentadas várias áreas da cidade, trazendo dinheiro, trabalho e muitos estrangeiros. Tivemos a inauguração da linha de metrô em Vincennes, a estação de trem D'Orsay, a inauguração dos dois museus, Grand Palais e Petit Palais, um de frente ao outro e a Ponte Alexander III, com toda a sua riquíssima beleza, usando a mesma arquitetura do Les Invalides. Além é claro, das Olimpíadas que tiveram seu brilho ofuscado pela magnitude da exposição.


Muito glamour espalhado por todos os cantos da cidade, mas, mesmo com tanta beleza, fartura e riqueza, existiam várias pessoas tristes, em busca de um pedaço faltante em sua vida. Aquele pedaço que deixaria sua existência completa.


Enquanto as mulheres começavam a deixar os espartilhos de lado e passavam a usar vestidos mais soltos, os homens viviam com seus fraques totalmente alinhados, com seus chapéus e bengalas... Cada qual esbanjando beleza do seu jeito pela cidade.


Essa foi a Paris de 1900, a que todos conhecem. Mas existem sempre aquelas histórias que só os envolvidos conhecem e, muitas vezes, são nelas que encontramos a verdadeira emoção.



Sophia era uma moça com mais ou menos 1,65 de altura, de traços delicados, pele tão branca quanto a neve, seus cabelos castanho-escuro bem compridos e cacheados descendo ao longo das suas costas e seus olhos... Ahhh seus olhos cor de céu, iluminavam o dia de quem os olhasse. Seus 22 anos de tamanha delicadeza davam a impressão de ser uma menina de 16 anos. Na verdade, ela parecia uma peça de porcelana de tão delicada. Estudante do último ano de artes e línguas estrangeiras pela Université de Paris, ela estava se preparando para assumir a sua primeira classe como professora. Morava com seus pais em uma bela casinha próxima ao château de Vincennes, a leste da França. Considerada velha para sua idade e ainda solteira, seus pais viviam pressionando-a para ficar com um amigo da família, Pierre, mas Sophia era muito a frente de seu tempo e acreditava que as mulheres podiam muito mais do que todos achavam. Era também devota de Joanna D’arc, e isso muito antes dela se tornar Santa. Sentia que sua existência na terra era muito maior que apenas namorar, noivar, casar e ter uma família. Ainda mais com Paris passando por tantas mudanças. 


O ano de 1900 foi muito movimentado na capital francesa, o que deixava Sophia ainda mais inquieta em sua pacata vida. Mas não era só isso, Sophia sentia dentro de seu peito que ela era ligada a alguém que ainda estava muito longe, tentando encontrá-la, mas que por algum motivo, não conseguia. E o mínimo que ela poderia fazer, era esperar.


Pierre era um rapaz de 28 anos, solteiro, que estava prestes a voltar de Londres, onde se formou em direito pela King's College London - A Faculdade do Rei de Londres, e deixou um grande amor por lá, Lissie. Ela foi sua companheira de estudos na faculdade e, com o tempo, tudo foi ficando maior. Até que Pierre resolveu pedi-la em casamento e ela por sua vez, não aceitou. Ela era uma mulher que pensava longe e achava que não estava pronta para casar, mesmo que sua família não pensasse assim. Pierre ficou arrasado, e quando recebeu a proposta de voltar para sua cidade natal, foi como uma luz surgindo para tirá-lo de tão profunda raiva e tristeza.


A família de Pierre tinha muito orgulho do homem que ele se tornou, e a família de Sophia também. Pierre do alto dos seus 1,80 de altura, magro porem atlético, cabelos negros e olhos castanhos e quase sem pelos no rosto, tinha um ar de príncipe. Não existia uma moça que não era interessada por ele. Pierre voltava para Paris para trabalhar na nova rede de metros que estava se instalando na cidade. Eram as seis primeiras estações de dezenas que ainda estavam por vir. 


Charlotte e Jeremias eram os pais de Sophia.

François e Margareth eram os pais de Pierre.


Os quatro eram muito parecidos fisicamente, estatura mediana, rostos de traços simples, não eram ricos, mas estavam estabilizados financeiramente. Jeremias e François trabalhavam na administração da Exposição Universal. Além de vizinhos em Vincenne, sonhavam com o casamento dos seus filhos, que teimavam em continuar solteiros. 



Capítulo 2 – Les rêves de Sophie (Os sonhos de Sophia)

“Estou em uma rua escura e totalmente deserta, chove muito e escuto um rangido metálico, de um portão de ferro. Sinto uma vontade enorme de ir até este portão. Meu coração acelera, começo a suar. Escuto um grunhido, não de animal, mas sim de um homem. Ele está preso dentro de uma gaiola grande para uma única pessoa. Eu chego perto e ele diz apenas: - Não se aproxime!


Eu não dou ouvidos e chego ainda mais perto. Percebo como ele é lindo e tenho a sensação de que já nos conhecemos. E realmente nos conhecemos. No exato momento em que nossos olhos se cruzam, meu coração para por um breve segundo. Paro de respirar e só tenho vontade de arrancá-lo daquela grade. Grito:

- Meu amor, o que você faz aí, quem te prendeu?

- Minha Bella, você não deveria estar aqui, você não deveria me ver assim!

- Como eu tiro você daqui?

- Vá embora antes que te vejam aqui, fiz isso por nós dois. Mas não tema, um dia vamos nos encontrar, eu prometo!

- Não! Eu não vou sem você! Estou te procurando a minha vida toda e não vou deixá-lo.

- Vai embora mon cher, eles estão chegando e eu não quero que eles te peguem.

- NÃO! Eu te tiro daqui, eu te tiro daqui. 

Começo a puxar as grades e chorar como louca, mas minha força não faz nem cócegas nas grades. Olho para o lado e várias criaturas com forma humana, mas com asas (não sei se anjos, demônios, mas eles tem asas) começam a me puxar. Me seguro nas grades e começo a gritar.

Aquele homem lindo e forte, com olhos cheios de ternura, se desespera e começa a gritar:

- Deixem-na ir embora, vocês já tem a mim e eu prometi que não ficaria perto dela, não foi?! 

Ele vai até as grades, segura minhas mãos e diz com lágrimas nos olhos:

- Mon´amour, me esqueça, não lembre mais de mim e não me procure mais. Nem hoje, nem nunca, nem em nenhuma outra vida. Eu jurei protegê-la e, assim que for seguro, eu vou te encontrar. Eu juro, eu vou te encontrar.


Eu só consigo chorar, aqueles seres com asas me puxam e me levam embora dali. Eu sei que aquele corpo não é meu, mesmo não podendo me ver, eu sei que minha fisionomia não é a que tenho hoje, mas sei que sou eu ali, desesperada. E então, eu acordo”.


Eu acordo, ofegante, chorando, com gritos abafados, tremendo. Pareceu tudo tão real. Quem era aquele homem? E aquelas criaturas? 


A partir de hoje, esse sonho se repetiria por mais algumas vezes e o desespero é sempre o mesmo. Eu nunca consigo libertar aquele homem. Porém duas coisas mudam, a primeira é que um dos seres alados é um homem, magro, com o rosto delicado como porcelana e a segunda coisa é que cada vez mais eu consigo ver melhor aquele lindo homem em meus sonhos e me apaixono mais e mais por ele.



Capítulo 3 – Les rêves de Pierre (Os sonhos de Pierre)

Desde pequeno, Pierre tem sempre um sonho recorrente. 

Que ele tem asas e pode voar.


Com o passar dos anos, os sonhos foram mudando, ganhando mais detalhes. Antes ele era uma criança com asas, depois um adolescente e agora, um adulto. Seus sonhos alados acompanharam seu crescimento. 


Nos sonhos, ele se sentia como alguém que exercia a lei. Como um guarda que precisa manter a ordem na terra e suas asas o ajudavam a chegar aos lugares mais inóspitos. Não que ele fosse um anjo ou um demônio. Ele apenas tinha asas e estas eram seu escudo e seu transporte. Foi por causa deste sonho que ele resolveu ser advogado. Para exercer a justiça, porém no mundo real. Durante a faculdade os sonhos diminuíram, principalmente depois que conheceu a Lissie. 


Lissie era o seu chão, seu porto seguro. Quando estavam juntos, parecia que tudo fazia sentido. Ela era a estudante perfeita e se tornou a advogada perfeita. Mas seu sonho era muito maior: Queria ser juíza e, por isso, não aceitou se casar. Mesmo amando tanto Pierre.


Uma noite antes de voltar para França, após deixar Lissie em casa, Pierre chegou em sua própria moradia e foi dormir. 


“Era uma noite muito chuvosa. Ele olhava para baixo e o único ponto luminoso que via era o de uma jaula onde um homem estava preso. Ele não sabia muita coisa sobre aquele homem, o que sabia era que precisava mantê-lo sozinho. Todas as noites eram sempre iguais, o homem tentava abrir a jaula, não conseguia, chorava de forma desesperadora, parava e adormecia. 

Mas hoje aconteceu algo novo, uma moça apareceu e encontrou aquele homem. Ela era linda, parecia uma até uma boneca, e estava desesperada para tirá-lo dali.  A chuva aumentou quando ela chegou até a jaula. Estava encharcada e chorava compulsivamente. Ele sabia que precisava mantê-la longe dele, era seu trabalho mantê-los longe um do outro, mas ao mesmo tempo, sabia que eles seriam melhor juntos, e foi deixando que ficassem se olhando por um breve momento, até que ouviu o rasgar do vento onde outros iguais a ele iam direto à jaula, para pegar a moça. Levantou-se rapidamente do telhado que estava e voou direto até ela, tirando-a de lá antes que a machucassem. O que ia acontecer com ela se pegassem-na, ele não sabia ao certo, mas tinha a sensação de que não seria nada bom. Arrastou-a daquelas grades e acordou”. 


Acordou suado, com o corpo todo molhado como se tivesse tomado um banho em uma tempestade. Levantou-se, se banhou, pegou suas coisas e, sabia por algum motivo, que precisava mesmo voltar pra casa.





Capítulo 4 – Les rêves de Gustavo (Os sonhos de Gustavo)

Gustavo ou Gus, como gosta de ser chamado, era simplesmente a perfeição em forma de homem. Tinha 35 anos, cabelos ruivos, olhos verdes, barba cheia e bem feita, com 1,95 de muitos músculos e cheio de ternura no olhar. Um autêntico escocês. 


Gustavo não era de ter muitos sonhos, mas quando os tinha, eram sempre muito vividos, como se realmente tivesse acontecido. Ele teve um dia bem cheio, organizando tudo para viajar até Paris para acompanhar as principais inaugurações que aconteceriam na Exposição Universal. Por ser arquiteto, todo tipo de trabalho arquitetônico o interessava, e a notícia da ponte que seria inaugurada em Paris o fez querer “voar” pra lá. Na realidade, não somente a ponte, mas o conjunto de prédios que seriam entregues e seguiam todos o mesmo estilo Nouveau. Ele já estava se organizando a meses e finalmente o grande dia estava batendo à sua porta.


Aquela noite ele estava tão cansado que sentou no sofá de sua casa para organizar alguns documentos, mas acabou adormecendo ao som de uma chuva fina que começava a cair.


“Era o fim de uma tarde de outono, a chuva fina começava a cair lá fora e uma sensação de tristeza se instalou em seu coração. No chão ele via um fio vermelho que aos poucos, estava sendo esticado para longe dele, e a cada vez que aquele fio se esticava, seu peito apertava mais e mais. Até que em determinado momento, ele ouviu um grito e o fio se rompeu”.


Gus acordou no susto, viu que estava no sofá e resolveu ir para sua cama. Ficou intrigado com o sonho que teve mas não ligou muito. Foi quando ele adormeceu e voltou a sonhar...


“Eu estava em uma jaula, eu não entendia o porquê estava ali. No meio de uma chuva torrencial onde não dava pra ver nenhum palmo à frente. Comecei a sacudir as paredes da jaula. As grades nem se mexiam, nada se movia, nem parecia que eu estava usando toda a minha força para movê-las. Modéstia a parte, eu sou um homem forte e pelo menos uma “mexidinha” na grade deveria ter acontecido, até porque, eu estava no meio do nada e não parecia que a jaula estava preso em algum teto.  Quando a chuva aumentou, ouvi passos, não pareciam ser passos de alguém muito pesado, eram delicados, mas que de repente ficaram mais rápidos como se, seja lá o que fosse, estivesse correndo de alguém ou para alguém. E quando olhei para frente, vi o ser mais lindo que eu já imaginei chegando perto da jaula dizendo:


- Meu amor, o que você faz aí, quem te prendeu?

- Minha Bella, você não deveria estar aqui, você não deveria me ver assim!

- Como eu tiro você daqui?

- Vá embora antes que te vejam aqui, fiz isso por nós dois. Mas não tema, um dia vamos nos encontrar, eu prometo!

- Não! Eu não vou sem você! Estou te procurando a minha vida toda e não vou deixá-lo.

- Vai embora mon cher, eles estão chegando e eu não quero que eles te peguem.

- NÃO! Eu te tiro daqui, eu te tiro daqui. 

Ela começou a puxar as grades e a chorar como uma criança que está perdendo um ente querido, mas, da mesma forma que eu não consegui balançar as grades, ela também não conseguiu.


Olho para cima e várias criaturas com forma humana mas com asas começam a descer como águias e um deles, um que veio mais rápido como um raio e determinado a tirá-la dali, começou a puxá-la, ela segura as grades e eu começo a gritar:


- DEIXEM-NA IR EMBORA, vocês já me tem e eu prometi que não ficaria perto dela não foi?! 

Eu seguro suas mãos com a força e delicadeza e digo com lágrima nos olhos:

- Mon´amour, me esqueça, não lembre mais de mim e não me procure mais, nem hoje, nem nunca, e nem em nenhuma outra vida. Eu jurei protegê-la e foi isso que fiz e se para isso preciso ficar aqui preso por você, eu fico. Um dia, quando for seguro, eu vou te encontrar. Eu prometo que vou te encontrar.


Então eu solto suas mãos e vejo aquele ser alado levando aquela moça embora pra longe de mim deixando apenas um vazio no meu peito. E então, eu acordo”.




Capítulo 5 – L´invitation (O convite) 

Era inicio de tarde quando Jeremias e François voltavam pra casa depois de mais um dia corrido de trabalho. Ambos estão cuidando da administração da Exposição Mundial e consequentemente das Olimpíadas. Existia muita agitação na cidade, muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, grandes inaugurações, novas rotas para as corridas automobilísticas... E tudo passava pela mesma administração.  


Quando a correria do dia a dia ficava pra trás, ambos queriam apenas o aconchego do lar. O que era raro, já que a maioria das pessoas daquela época só pensava em trabalho, dinheiro e sucesso.


- François, ton fils chega quando de Londres?

- Amanhã mon´amie, não vejo a hora de reencontrá-lo. É uma pena que ele virá sozinho, já que não deu certo seu relacionamento com Lissie.

- François, gostaria de oferecer um jantar de boas vindas a seu filho, quem sabe desta forma, Sophie se interessa por ele. O que acha?

- Jeremias, preciso conversar com Margareth antes, mas creio que por ela esteja tudo bem, desde que seja depois de amanhã. Pierre deve chegar exausto!

- Mas é claro, até porque se digo a Charlotte que teremos convidados para o jantar amanhã, assim tão em cima da hora, é capaz que ela atire uma faca em meu peito.

Os dois gargalham e seguem seus caminhos pra casa.


Ao chegar em casa, Jeremias abre a porta com sua alegria costumeira e vai logo chamando Charlotte para dar a notícia. Ela está na sala lendo um livro e o aguardando para o jantar. Ele se aproxima dela, dá um beijo em sua testa e diz:

- Charlotte, mon cher como foi seu dia? Tenho uma surpresa pra você.

- Nossa Jeremias, que euforia toda é essa? - Ela ria com a reação do marido. - Meu dia foi ótimo, mas que surpresa tão boa é essa?

- Pierre o filho de François e Margareth chega amanhã a noite e sugeri que fizéssemos um jantar de boas vindas para ele depois de amanhã. Nossa ideia é apresentá-lo a Sophie.


Charlotte conhece bem o gênio da filha e sabe que isso não dará certo, mas, porque não tentar?

- Você sabe muito bem que se a Sophie descobrir que tudo isso foi planejado, ela ficará muito brava, não sabe?

- Claro que sei, mon ´amour. Mas não consigo mais ver nossa filha apenas com o rosto enfiado nos livros, ela precisa encontrar um bom rapaz, se casar e nos dar netos. Aliás, ela já passou da hora de ter filhos, a cada ano ficará ainda mais difícil.

- Ora Jeremias, nossa filha é muito saudável e pode sim ter filhos por muito tempo ainda, ou esqueceu da sua mãe, com quantos anos ela teve o último filho mesmo?

- Isso não importa, não foi o primeiro e sim o quinto então isso não conta. O que importa é montarmos esse jantar e fazer com que os dois se gostem.


E assim, deram-se início aos preparativos do jantar.




Capítulo 6 – La préparation (A preparação)

Pierre chegou na casa de seus pais por volta das 17h. Estava com um sorriso de orelha a orelha e louco de saudade de seus pais. 

- Mère, cheguei...

Margareth vem correndo e se joga nos braços do filho. 

– Oh meu filho, que saudades de você! Como você está magro! Você não comia naquele lugar não?

- Que exagero querida, nosso filho está ótimo! Venha cá meu rapaz, como foi de viagem?

- Muito bem. Cansativo, mas estou bem.

- Que bom me fils. Lembra-se de meu amigo Jeremias?

- Oúi, o que tem ele papa?

- Ele e sua esposa Charlotte querem oferecer um jantar de boas vindas pra você amanhã, o que acha?

- Claro, porque não?!

- Ótimo querido, você está com fome?

- Non. Estou apenas cansado.

- Então agora vá para seu quarto descansar, amanhã será um longo dia e quero saber de todas as novidades. - Disse Margareth.



O dia estava bem ensolarado para a primavera. Sophie estava um tanto atrasada para ir a Universidade e por isso, estava correndo pela casa para não esquecer nada.

- Calma Sophie, desse jeito vai acabar tropeçando e quebrando alguma coisa, ou pior, alguma parte do corpo. Disse, Francine, rindo. Francine era a empregada da casa. Estava lá a muito tempo e foi babá de Sophie. Era uma senhora gordinha, baixinha, com os cabelos cinzas em coque e com uns olhos azuis acinzentados que davam até medo, porém, tinham uma doçura, que só vemos em olhos de avós.

- Sophie, hoje teremos visita para o jantar, espero que não fique até tarde na Universidade. Disse Charlotte ao sentar-se na mesa para o café.

- Quem vem para o jantar, Ma mère? 

- Um amigo de seu pai lá do trabalho, François com sua esposa Margareth e o filho deles que acabou de voltar de Londres, Pierre. - Disse Charlotte com um olhar malicioso e sorriso nos lábios.

- Conheço esse seu olhar Sra Charlotte...

- Se conhece tanto assim o que ele quer dizer?

- A Sra. nem pense que vai me arrumar um namorado nesse jantar!

- Ma fille, não custa nada dar uma ajuda ao destino, e se esse rapaz for seu par?

Sophie apenas riu para sua mãe que completou:

- C´est vrai ma cherie, as vezes, o destino precisa de uma ajudinha para unir as pessoas, quem sabe não seja ele seu par?

Sophie, deu um meio sorriso, pegou suas coisas, bebeu um pouco de suco e apenas disse, já de saída:

- Je ne sent pas ma mère. Je ne sais pas rien! 



Pierre acordou totalmente descansado e estava louco para andar pela cidade que a mais de 10 anos não visitava. Tomou um banho, se arrumou, pegou seu chapéu, sua bengala e foi direto para a porta de saída. Mas antes que pudesse abrir a porta e sair:

- Onde o senhor pensa que vai Pierre? - Disse Margareth.

- Ah, quero dar uma volta pela cidade, ver o que mudou, como está tudo. Até porque, em breve não terei muito tempo para recreação, afinal, vim a trabalho ma mère.

- Mas pelo menos tome um café, mon cher!

- No. Quero tomar um café na cafeteria perto da Universidade de Paris, estou com saudades do croissant que tem lá.

Margareth foi até o filho, beijou sua testa e disse:

- Mas não demore. Hoje temos o jantar de boas vindas do amigo de seu pai.

- Oui, não me atrasarei!



Todos os dias, Sophie vai até o café em frente à universidade para encontrar Etiennie, um rapaz muito bonito e muito inteligente. Mas ele era baixinho, franzino, usava óculos e isso fazia com que a maioria das garotas, nem o percebessem. Mas isso pra ele não é um problema, pois o gosto dele por mulheres não era voltado para o lado amoroso. Não que ele seja gay, na verdade, nem ele sabe ainda o que ele quer. Sophie e Etiennie são amigos desde pequenos, estudam e trabalham na mesma Universidade. 

- Good morning my dear friend.- Disse Etiennie puxando uma cadeira para Sophie.

- Good morning, How are you? 

- Fine, really fine!

Os dois dão risadas e sentam-se à mesa. Ambos estão se formando professores de inglês e por isso, sempre que podem estão conversando e treinando. Enquanto estão tomando café, a porta abre, o sino toca e um lindo rapaz entra. Não tem uma moça que não olhe para ele. Etienne chama a atenção da amiga para a porta e diz:

- Cherie, viu o cavalheiro que entrou?

Sophie olha para o rapaz sentado à mesa ao lado e sente um calafrio. Pierre levanta a cabeça e cruza com o olhar de Sophie. Ambos sentem seus rostos corar e uma eletricidade percorre o corpo dos dois como se passasse por um fio.

- O que foi ma amie? - Etiennie segura na mão da amiga que está gelada e seu rosto mais branco do que de costume.

- Rien! Vamos para a aula? 

- Ok, My dear. Let´s go.

Ambos saem do café enquanto Pierre fica olhando o “casal” e fica sem entender porque sentiu tudo aquilo.




Capítulo: 7 Le diner (O Jantar)

Toc Toc Toc

Francine abre a porta para François, Margareth e Pierre, recolhe seus casacos e os faz entrar.

- Bonsoir. O sr Jeremias os espera na sala, sigam-me por favor!

- Mon amie, que bom que chegaram! - Diz Jeremias indo receber a família que acabara de chegar.

Os dois se comprimentam e apresentam suas esposas. Depois disso, François apresenta seu filho.

- Jeremias, esse é meu filho Pierre.

- Ola Pierre, prazer em conhecê-lo! Seu pai fala muito de você.

Pierre sorri e faz um aceno de cabeça. Nessa hora, antes que Pierre falasse algo, Sophie entra na sala, Francine tinha ido chamá-la. Quando ela chega e olha para Pierre, a mesma onda elétrica percorre seus corpos e ambos ficam ruborizados novamente.

- Essa é nossa filha Sophie. Sophie, esses são meus amigos: François, sua esposa Margareth e seu filho Pierre.

- É um prazer conhecê-los.

- Sentem-se todos, vamos tomar nosso champagne. Assim que nosso jantar estiver pronto, Francine vem nos chamar. - Jeremias estava radiante.


O Jantar aconteceu de forma perfeita. Como todo jantar francês, ele durou horas de boas conversas e risadas e teve todas as etapas seguidas a risca: do L'aperitif ao L’digestif foi tudo perfeito.

- E então Pierre, você voltou para Paris para ficar? - Perguntou Charlotte.

- Je ne se pas. Vim a trabalho, faço parte da equipe que está fazendo o metropolitan ou o metrô como querem chamar. Então não sei como será após essa temporada de organização e documentação.

- Deve ter muita documentação envolvida para que tudo consiga ser inaugurado dentro da lei, não é mesmo? 

- Sim, Sra. Charlotte. Mas estamos com tudo muito adiantado. Dará tudo certo.

- Sophie, como vai na Universidade? Já terminou seus estudos?- Pergunta Margareth mãe de Pierre

- Está tudo perfeito. Estou terminando a especialização para dar aulas na própria universidade. Assim que me formar, início como docente.

- Super! E qual a sua especialidade? 

- Inglês. Mas estudo gaélico, galês, alemão... Gosto de estudar várias línguas, quero ensinar as pessoas o máximo possível.

Pierre, olha para a moça e resolve perguntar:

- Se quiser treinar seu inglês, talvez eu possa ajudar, afinal, 10 anos de minha vida foram em Londres.

- Merci, Sr Pierre. Se não for incomodá-lo. - Disse Sophie ruborizada. Ela sentia que conhecia aquele rapaz de algum lugar, só não sabia de onde.

- Não será incomodo nenhum. - Disse Pierre. Ele também tinha a mesma sensação de que já tinha visto aquela bela moça.

- Sophie querida, você sendo uma moça tão linda e inteligente, deve ter vários rapazes interessados em você não é mesmo? Alguém em especial já roubou seu coração? - Disse Margareth sorrindo e segurando na mão do filho.

- Ma mère! Isso coisa que se pergunte a moça!

- Ora querido, não perguntei nada demais, perguntei Cherie?

- Non, ne pas de problem. Sobre meu coração, ninguém o roubou ainda. Creio que ele está seguro comigo.

- Talvez isso mude logo não é, chérie? - Diz a mãe de Sophie enquanto pede para trazerem a sobremesa. 


De le désert, foi servido um Clafoutis ( Cerejas inteiras, cozidas em um creme de farinha, ovos, leite e açúcar), uma verdadeira perdição. Logo em seguida veio o café e depois o conhaque. Com isso foram todos para a sala novamente.

- François, espero que você e sua família tenham apreciado o jantar.

- Claro, mon amie, estava tudo perfeito, não é mon fils?

- Oui, Pere. Há tempos eu não desfrutava de um jantar tão cheio de delícias e boa companhia. Pierre olhava para Sophie, que ficava ainda mais envergonhada.


Enquanto todos bebiam, Pierre chegou perto de Sophie:

- Creio que já nos vimos em algum lugar, não?

- Sim, hoje cedo na cafeteria próxima a Universidade, eu estava com meu amigo Etiennie.

- C´est vrai! Antigamente um passava naquela cafeteria todas as tardes e pedia um croissant com geleia de morango. 

Sophie, olhou para o rapaz e sorriu. Ela sabia que o encontro deles vinha de outro lugar e não da cafeteria, só não sabia de onde.


Meia hora após todos terem terminado seu conhaque, a família de Pierre resolveu se retirar. Estavam todos felizes com o resultado do jantar. Quando digo todos, quero dizer os pais. Já os jovens estavam querendo entender o porque de todo aquele desconforto entre eles.



Capítulo 8 – O reencontro


O dia era 14 de abril, todos estavam entusiasmados com a inauguração da Ponte Alexandre III. Muita gente se reuniu para a festa. Era de uma arquitetura magnífica!

Gustavo estava atento a cada um dos detalhes, a cada pedra, a cada escultura.


Sophie, Pierre e suas famílias também foram até a inauguração da ponte. A beleza que o arco formava ao longe, sem esconder nenhum detalhe dos entornos, era surreal. Depois daquele jantar na casa de Jeremias, Sophie e Pierre, se aproximaram mais, o desconforto entre ele havia diminuído, porém o enigma continuava. De onde eles se conheciam?


Enquanto todos apreciavam as estátuas na ponte, sem querer Sophie esbarrou em Gustavo.

- Pardon, como sou desastrada!

- Eu que peço desculpas senhorita, eu estava totalmente desatento olhando toda essa bela arquitetura e esqueci de prestar atenção em todo o resto. 

Sophie sentiu seu coração saltar pela boca ao olhar aquele homem maravilhoso a sua frente. A sensação de conhecê-lo foi ainda mais forte do que quando viu Pierre a primeira vez. O mesmo foi sentido por Gustavo, que estava com suas mãos na cintura da moça que ele quase derrubara. Ela era o ser mais lindo que ele jamais sonhou ter visto. 

- Mais uma vez, peço desculpas. 

Gustavo, olhou nos olhos de Sophie, tirando o chapéu e segurou a mão de Sophie, se curvou em reverência. Pierre que estava um pouco atrás chegou todo seguro de si e segurou Sophie pelos ombros. Foi logo perguntando.

- Você está bem?

- Oui, estou. Não foi nada demais Pierre, foi apenas uma desatenção de ambas as partes. 

- Tenho a impressão de já tê-la visto em algum lugar senhorita, só não consigo me lembrar de onde. - Gustavo também sentiu uma forte ligação ao olhar Sophie.

- Embora eu tenha a mesma sensação, eu creio que nunca nos vimos antes.

- Talvez eu tenha sonhado então. - Disse Gustavo.

Sophie olhou com mais cuidado nos olhos de Gustavo e disse: 

- Sim, creio que tenhamos nos visto em nossos sonhos.

- Vamos Sophie, nossos pais estão nos esperando para o coquetel. - Disse Pierre, já incomodado com o clima entre os 3.

- Posso acompanhá-los? Também estou a caminho do coquetel.

- Claro, será um prazer. Mas antes, me chamo Sophie.

- Mais uma desatenção minha. Gustavo a seu dispor.

- E eu sou Pierre, muito prazer. - Disse estendendo a mão ao cavalheiro que nitidamente seria seu rival pelo coração de Sophie.


Quando chegaram no coquetel, os pais de Sophie e Pierre foram até eles preocupados.

- O que aconteceu que demoraram a chegar, já estava preocupada. - Disse Charlotte

- Nada ma mère, apenas um tropeço, nada demais. Acabamos estendendo um pouco a conversa com o Sr. Gustavo.

Gustavo era muito mais bonito que Pierre, tinha porte de homem e isso claro, chamou a atenção da mãe de Sophie.

- Então o Sr. quis levar minha filha ao chão, Sr. Gustavo?

- Imagine, foi apenas um descuido. Mas estamos todos bem.

- Sim, eu vejo como estão todos MUITO BEM por sinal.

- Bom, com sua licença senhoras, preciso encontrar uma pessoa. Prazer em conhecê-las.


O dia foi passando e ao longo dele as festividades foram só aumentando. Nada poderia estar mais perfeito, todos estavam muito felizes com a Exposição.


Anoiteceu. As famílias de Sophie e Pierre se juntaram para voltarem para suas casas e descansar, pois os dias seriam todos muito movimentados como hoje até o final do ano. 

Ao longe, Gustavo viu Pierre segurando a mão de Sophie e a levando embora, será que eles eram um casal?



Capítulo 9 – A despedida

Naquela noite, os 3 tiveram o mesmo sonho. O homem preso na jaula, a moça gritando e o jovem com asas levando a moça embora. Só que nesta noite, todos puderam ver os rostos com perfeição dos personagens do sonho, seus próprios rostos. No momento que ficou claro quem eles eram naquele sonho tão louco, ele se desenvolveu... 


- Gustavo o que você faz preso aqui meu amor, o que aconteceu para você estar aqui preso nessa gaiola?

- Sophie minha querida, o que eu fiz nesse exato momento não importa, o que importa é que eu te amo, que já estivemos juntos em outras vidas e nosso laço estará pra sempre ligado, mas infelizmente temos que nos afastar por um tempo, e assim que for novamente possível, eu vou encontrá-la.

- Não quero perde-lo. Não agora que te encontrei.

- E você não vai me perder, mas agora, nessa vida, você não pode ficar comigo.

Nesse momento, chega Pierre, com suas longas asas e seu corpo magro e definido estendendo a mão para Sophie.

- Desta vez, eu cuidarei de você Sophie, chegou a minha vez de cuidar de você.

Sophie olhava em direção a Gustavo e via o fio da vida que os ligava, tão forte, tão brilhante. Mas quando olhava para Pierre, via um fio tão fraco, sem cor. Não podia ser verdade que ela teria que abrir mão do seu amor, logo agora que eles finalmente se encontraram.

- Não posso deixá-lo Gustavo, não posso.

- Vá com ele mon´amour, ele poderá cuidar de você. Desta vez eu não posso.

Pierre estende a mão mais uma vez e chorando, Sophie aceita. 

Ao acontecer isso, os 3, cada um em sua cama acordam.


O ar está chuvoso, é um daqueles dias que é melhor se manter na cama, mas todos estão muito preocupados com o sonho que tiveram e os 3 resolvem ir até a Ponte. É estranho, mas todos estavam muito conectados, Sophie e Gustavo chegam primeiro. Sophie ao olhar para Gustavo, começa a chorar e corre para seus braços, ele segura seu rosto e diz:

- Eu sempre soube que tinha alguém à minha espera, mas não poderia esperar que encontraria você aqui. Mas eu também sei que não podemos ficar juntos. 

- Mas porque? Você está aqui agora, e finalmente meus sonhos fazem todo o sentido.

- Eu sei, os meus também. Mas eu tenho uma família, tenho uma esposa, uma filha e estou preso a esse casamento. Como na jaula de nossos sonhos.

Sophie fica paralisada. Sem saber o que fazer ela apenas diz:

- Eu compreendo.

Neste momento, Pierre chega a ponte e para a alguns passos do casal. Ele sabe no fundo de seu coração que eles precisam daquele momento.

- Sophie, meu amor, fique com Pierre, ele é um bom homem. Vai cuidar de você, sabe disso, você já viu em nossos sonhos que ele irá cuidar sempre de você. Vocês também estão conectados, não como nós. Mas infelizmente, nós não podemos.

Então Pierre se aproxima, segura os ombros de Sophie e diz:

- Prometo cuidar dela, da mesma forma que venho cuidando todo esse tempo em nossos sonhos. Serei seu anjo protetor e não deixarei que nada de ruim aconteça a ela. 

Gustavo apenas acena com a cabeça para Pierre, beija a testa de Sophie, vira as costas e começa a andar.

A chuva aumenta, os 3 ficam ainda mais encharcados, Sophie começa a chorar ainda mais. Ela dá dois passos e grita:

- Não me deixe!

- Um dia voltarei pra você. Talvez não nessa vida, mas eu vou voltar pra você. Vou te encontrar, eu prometo. 

Sophie vai ao chão em prantos enquanto vê seu amor indo embora e seu protetor a amparando.


Fim.


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