A intensidade do pensamento, desejos e crenças humanos deixam resíduos energéticos que, ao ligarem-se aos seus semelhantes em massas, criam peso no Plano Astral, acumulando-se no que se denomina uma Impressão – a escala maior que uma Egrégora pode alcançar –, sendo uma potência coletiva a qual, em um dado momento, torna-se tão poderosas que, por si só, origina Leis secundárias que coexistem em meio às Leis Universais, passando a ditar certos aspectos da existência e imprimindo os Significados Essenciais das coisas e aos Símbolos, ou seja, legitimando sua influência mecânica e mágica sobre a vida. São as Impressões que dão força ao Poder Simbólico, a fundação em que se baseia toda a compreensão linguística, matemática e artística da humanidade.

Para se chegar perto de um entendimento satisfatório quanto a importância desse fantástico poder que reside por trás dos Símbolos, é preciso que se considere o tempo passado, centenas de milhares de anos antes, quando a primeira civilização surgia, após um longo período de selvageria em que os homens pré-históricos eram condicionados a viver, exatamente quando a Palavra, ou seja, a Comunicação, emergia na aurora da humanidade. Quando a primeira palavra foi pronunciada e compreendida por outrem, surgiu então o Significado, o resultado último das Impressões. Tendo o primeiro Significado formulado, logo mais e mais Significados foram a ele se ligando, fazendo nascer, eventualmente, a primeira linguagem verbal já existente. Depois da fala pronunciada, iniciou-se o advento da fala escrita, seguidas depois, no decorrer de um longo período de desenvolvimento antropológico, pelas Artes e as Ciências. O verdadeiramente importante por trás dos Significados de símbolos grafados e palavras faladas é, sobretudo, a manifestação da Impressão Astral. Que experiência extraordinária deve ter sido olhar para uma árvore e emitir um som composto de fonemas que a identificasse como sendo a “árvore”, e fazer, além disso, com que toda uma sociedade aceitasse este termo e passasse a referir-se à todas as formas semelhantes como “árvores”! Mais absurdo ainda deve ter sido formular um alfabeto escrito, onde todo um grupo tivesse como certo que determinado desenho possuísse um nome e que, estes desenhos unidos possuíssem um som correspondente que, por sua vez, formariam uma palavra. Colocando lado a lado tudo o que possuímos hoje contrastando com a estranha escassez que provavelmente houve antes, parece quase milagroso que tenhamos alcançado um estágio tão avançado em termos culturais. E é justamente quando se tem em mente as influências das Impressões no Plano Astral sobre essa evolução que podemos aceitar que, de fato, só chegamos tão longe graças à uma cadeia de diversos milagres. Mantendo em vista tudo isso, é correto afirmar que todo elemento simbólico que existe no mundo é usado apenas como um ponto de referência para evocar uma ideia conceitual ao qual aquele determinado símbolo representa, ou seja, sua essência e poder não estão em sua grafia ou forma física propriamente dita, mas sim no ideal abstrato que esta forma carrega. Por exemplo, o número 1 só representa esta unidade porque, em algum momento, houve uma convenção (uma anuência social que fez com que essa Impressão Astral fosse criada), de que o “1” teria este significado, e mesmo que este numeral seja grafado de outra fonte ou de outra maneira, ou pronunciado de outras formas – como realmente o é, dependendo-se do idioma que se esteja falando –, o valor de sua unidade, e por conseguinte seu significado, continuam sendo os mesmos, independentemente das culturas em que ele se encontra, pois o conceito do “1” existe como uma verdade absoluta no Plano Astral, com um peso de Lei secundária, coexistindo com as Leis Naturais que regem todo o Equilíbrio Universal. E as Impressões, frutos do intelecto criador e divino que há no ser humano, associam como verdadeiros os significados não só de numerais e caracteres alfabéticos, mas também de figuras geométricas e até mesmo cores, oferecendo potência energética a absolutamente tudo o que foi nomeado e criado. São graças às Impressões que uma conta matemática pode chegar à uma unidade como resultado, e que uma letra ou palavra podem evocar um conceito específico, assim como uma cor representar uma determinada coisa/ação/emoção e uma forma possa possuir um conceito – neste ponto, é válido acrescentar que, tal é o poder das Impressões que, a partir do momento em que se houveram as primeiras convenções acerca dos significados das cores, associando-as com sentimentos em particular, todas as Auras passaram a vibrar em frequências que assumindo os pigmentos correspondentes a cada sentimento aos quais cada cor havia se ligado, desencadeando uma revolução etérea.

Com o decorrer do tempo, em todas as culturas, um processo semelhante do que ocorreu com os caracteres alfabéticos e numéricos se desenrolou, fazendo nascer uma ampla gama de símbolos remetendo à determinados significados, alguns eventualmente considerados como mágicos, sendo os mais conhecidos entre as sociedades alquimistas principalmente os símbolos dos planetas, dos elementos (Ícones) clássicos e elementos químicos, dos processos alquímicos, substâncias compostas, dos gêneros, além de outros que representam conceitos muito importantes dentro da filosofia hermética e em algumas religiões/cultos, como os Signos Zodiacais, a Estrela de Davi, o Olho de Hórus, a Cruz Ansata (Ankh), o Ouroboros e o Caduceu, tendo, este último, um local de destaque dentro da Ordem dos Herdeiros de Trismegisto, que o caracteriza num formato um pouco diferente do comumente difundido, utilizando-o, inclusive, em adornos e joias como uma insígnia de identificação de seus membros. O Caduceu, o conhecido símbolo do deus grego Hermes, é normalmente representado como sendo um bastão com duas serpentes se entrelaçando de sua base até o topo, de onde saem duas asas. Na História, esta peculiar imagem teve diversos significados, associando-o, por exemplo, ao estudo das ciências contábeis (por Hermes ser também o representante dos mercadores, comerciantes e negociantes), apesar de, esotericamente, esse objeto ter um significado muito mais profundo – ainda mais para os membros da Ordem Herdeiros de Trismegisto. Segundo este significado secreto, as serpentes que se entrelaçam no bastão são chamadas Od e Ob, sendo a primeira aquela que representa a vida em meio ao caos (a que traça “o caminho da doença”) e a outra, a vida em meio à ordem (a que traça “o caminho da saúde”) – dois conceitos contrários que, apesar de muitas vezes juntos, jamais se misturam [suas contrapartes são elaboradas de forma semelhante pela cultura chinesa, nos conceitos do Yin e Yang]. No topo do bastão, usualmente grafado com o formato de um globo dourado, reside Aur, a Luz da Equilibração, que se refere a uma Lei Universal. A ascensão de Od e Ob até Aur representa, assim, a evolução da consciência até a Suprema Iluminação, ou seja, a busca pelo domínio do poder espiritual que transcende completamente a matéria e recebe a dádiva astral. As serpentes, ao entrelaçarem-se, formam sete círculos, que indicam os sete centros principais de energia humanos (os Chakras), convergindo finalmente para o oitavo e último círculo, Aur, a Tocha, que vai além do corpo físico – remetendo à tão mencionada “fonte”, na qual se baseia o princípio de basicamente todas as religiões [religião, do termo religare, ou seja, conectar-se à matriz, à energia cósmica e divina]. Na Ordem Herdeiros de Trismegisto, Aur então não é visto como um globo, mas sim uma superfície côncava que é, na verdade, um recipiente que forma essa mencionada Tocha, que guia à Suprema Iluminação; assim, o Caduceu, nesta Ordem, é sempre reproduzido como a Tocha-Caduceu.

Com o desenvolvimento das Impressões dos Significados, em algum momento durante o período de glória da antiga civilização babilônica, muito antes das reflexões da Matemática clássica grega surgirem no mundo, iniciou-se um movimento onde algumas correntes esotéricas propuseram – e que outras ainda sustentam –, ir além dos sentidos convencionais das unidades equacionais representadas pelos numerais, atribuindo-os mais que seus valores, mas também significados ocultos que, misticamente, influenciariam a vida. Assim formou-se a Numerologia, trazendo a ideia de que padrões numéricos ditariam a vida e que, se compreendidos corretamente, seu domínio conseguiria revelar uma porção de acontecimentos futuros. Com a Numerologia e os novos significados que ela trouxe à luz, surgiram conceitos como número da sorte, número de azar, número de impressão, número de expressão, e muitos outros números, que por si só receberam interpretações particulares. De forma semelhante, e abrangendo uma área similar, por tratar-se do campo abstrato sobre a vida física, formou-se o estudo da Geometria Sagrada, afirmando, por sua vez, que todo o Universo se basearia em formatos geométricos e padrões físicos de simetria que imitaria a arquitetura divina que a tudo construiu, sendo todo o mundo material constituído de representações fiéis de cópias espirituais – resultando, entre outras teorias, na preposição de que o que não possuísse essa mesma simetria geométrica, ainda não estaria em sua condição Perfeita. Com o advento da Geometria Sagrada, um movimento extremamente antigo, o conceito do que se considera como “símbolos mágicos” se fixou entre as comunidades alquimistas e/ou similares, fazendo com que, tal como o aconteceu com a grafia do alfabeto e numerais, Impressões Astrais passassem a ser construídas sobre desenhos geométricos específicos e os quais, aos poucos, foram se atribuindo significados. O maior difusor de padrões geométricos utilizados como a base de feitiços e rituais vem da demonologia Goécia, partindo de sua principal obra, chamada a Chave Menor de Salomão, um grimório mágico dividido em cinco partes que, além de listar seus 72 demônios (e anjos), dá fórmulas de como invoca-los e até de como fazer com que estas poderosas Entidades sejam feitas de “escravas”.

O que impede que qualquer pessoa desenhe algumas destas formas reconhecidamente arcanas e com elas consigam realizar um feito mágico, como a performance de um feitiço, se dá principalmente por dois fatores, que remetem, cada um, a uma Lei Universal que rege os Princípios de Utilização da Magia: o primeiro fator é o qual se aplica o Princípio da Troca Equivalente, que dita que para o desencadeamento de um ato mágico é preciso que haja uma espécie de pagamento, como um veículo que para funcionar precisa de combustível – já aqui podemos considerar que a grande maioria de amadores, vigaristas e falsos praticantes falharia no processo mágico, sendo incapazes de oferecer o tipo de energia necessária para ativação de um Selo, Sigilo ou Símbolo mágico; o segundo fator que levaria o fracasso nesta tentativa, seria a falta de domínio do Princípio do Direcionamento, que pode ser ainda mais traiçoeiro em se tratando da evocação correta de um símbolo que pode possuir (e provavelmente possui) diversos significados, sendo este Princípio o que diz que para a feitura adequada de um ato mágico é necessário o conhecimento de todas as interações que ele poderia desencadear e manifestar, para que seja possível seu “direcionamento” assertivo em até o objetivo pretendido. Assim, uma pessoa que não possui o conhecimento essencial para a evocação de um Significado e/ou não é capaz de reproduzir a energia mágica indispensável para ativá-lo está fadada à decepção.

E, similarmente, o que impede que um rabisco geométrico qualquer – mesmo que imbuído de algum tipo de poder –, pudesse, de fato, realizar uma função efetivamente mágica, e a ausência do peso da Impressão Astral que lhe conferirá um Significado. Somente recebendo este componente, que, por sua vez, só surgirá com o acúmulo de crenças em sua função reunido durante muito tempo, é que um Símbolo passa a ter real potência.

Outro grande estudo que explorou a aplicação das Impressões foi a Astrologia, um derivado da ciência natural mais antiga já conhecida – e, coincidentemente ou não, também uma das mais importantes dentro da Alquimia – que, é evidentemente, a Astronomia, que se dedica à observação dos corpos celestes e suas relações com a Terra. Na Astronomia, que surgiu muito cedo, datando já desde as civilizações mais antigas as quais se tem registro, propõe-se ir além da compreensão das posições solares utilizadas como ferramentas de calendário e relógio, e das estrelas e demais planetas como mapa e bússola, trazendo a proposição que os Astros exerceriam uma influência direta sobre a vida humana, mais especificamente no que toca em algumas características e comportamentos seus. Essa influência variaria de acordo com, por exemplo, a posição dos planetas e estrelas, além de outros eventos naturais, como eclipses, a passagem de meteoros e asteroides e assim por diante, e seriam sentidas pela humanidade pelo que com o tempo foi nomeado o “Terceiro Olho” (termo que modernamente remete à glândula pineal, um órgão cerebral localizado exatamente no meio da testa, entre os dois globos oculares), que captaria os níveis luminosos de cada Astro, bem como os campos magnéticos que eles supostamente emanariam, e, a partir dessa captação, agiriam sobre a personalidade e intelecto de cada indivíduo. Na Idade Média, ainda dentro destas ideias, não só os planetas conhecidos do sistema solar, a lua e o próprio sol passaram a ter Significados, como também criaram-se “imagens” – e subsequentemente histórias e mitos – para alguns agrupamentos estelares, vistos então como Constelações. Com a formulação do Zodíaco, o conjunto de Doze Signos, que seriam as maiores e mais importantes entre as 88 Constelações, a criação do Horoscopo se completou, atribuindo a regência de um Signo a cada um dos doze meses do ano, sendo que, durante estes períodos de trinta dias, o sol estaria voltado respectivamente para uma dessas constelações correspondentes. E o fato é que a origem de todas estas (em alguns casos comprovadas) influências dos Corpos Celestes (planetas e Signos) sobre a vida, vêm, como era de se esperar, do poder das Impressões.

Como foram mencionados os símbolos dos elementos “clássicos” e dos elementos “químicos”, faz-se de extrema relevância a explicação de suas diferenças, de acordo com a Alquimia hermética seguida pelos Herdeiros de Trismegisto. Na Grécia da Antiguidade, através da filosofia e dos grandes pensadores daquela época, começou a difundir-se a tese de que a matéria seria composta de minúsculas partes e que, de alguma forma, cada uma dessas partes, proviria de um “elemento” – naquela visão, estes se tratando da Terra, Ar, Água e Fogo [tendo alguns outros inclusos e depois retirados desta lista com o correr do tempo, dependendo das fontes], fazendo nascer assim a Teoria dos Quatro Elementos Primordiais. Mais tarde, com a Alquimia, passou-se a atribuir pelo termo “elemento” outras substâncias, que foram confirmadas por esta nomenclatura posteriormente com o avanço inevitável da Química e a formulação da Teoria Atômica, abolindo-se assim a utilização dos “elementos clássicos” como sinônimos de Elementos, passando a referir-se a estes, agora, sempre como “Ícones” – seu entendimento então se alterando para aspectos ambientais e como componentes cósmicos presentes na Criação, embora não encontrados diretamente na matéria. A Alquimia reconhece a existência simbólica de Oito Ícones: Água, Fogo, Terra, Ar, Éter, Eletricidade, Luz e Escuridão.