Uma grande verdade que os praticantes da Sagrada Arte sempre reconheceram é a existência dos Espíritos, ou seja, seres etéreos que, de uma maneira ou de outra, existem ocultos em nosso Plano, fazendo sua influência ser sentida em níveis dificilmente detectáveis a uma pessoa comum – em alguns casos, de uma forma extremamente negativa.

Reconhece-se, em meio a esse terreno muito explorado pela literatura (e por basicamente todas as religiões que já existiram no mundo), mas pouco conhecido, uma certa classificação geral destes seres desencarnados, que se baseia essencialmente pelas suas origens possíveis, que determinam seus diversos tipos. Para fins didáticos, nos ateremos a três principais denominações: num primeiro momento, temos os espíritos Naturais, que simplesmente “existem” na natureza independentemente da vontade humana; estes são a essência manifestada de algumas formas de vida específicas (como um tipo de flor ou árvore) ou elementos gerais (como uma floresta ou rio), sendo os maiores exemplos de espíritos naturais as ninfas e náiades. E então há os outros dois tipos, os que podem ser “criados”: no primeiro caso, e o de ocorrência mais comum, isso se dá pela alma desencarnada de um ser humano (ou outra criatura dotada de alma) que morreu e não realizou a Última Passagem, ou seja, que não foi (re)conduzida ao Reino Astral, onde em algum momento se uniria à Árvore da Vida e eventualmente reencarnaria em outro corpo, em outro tempo; estas formas pálidas de semiexistência, caracterizadas como assombrações, espectros, fantasmas, poltergeists etc., se atam ao mundo físico por alguma razão e só conseguem existir assim alimentando-se da energia vital dos vivos (ectoplasma), nos quais geralmente se ligam como parasitas. A segunda maneira, e a mais rara, seria esse espírito surgir de forma “espontânea”, nascendo a partir do peso extremo de uma determinada Egrégora (coletivo de energia de desejos, pensamentos e sentimentos humanos que se acumula na primeira camada do Plano Astral); considerando este cenário, o que surgiria seria corretamente denominado como sendo uma Entidade, um ser consideravelmente mais poderoso do que o “fantasma comum” descrito no caso anterior, que poderia interagir com o mundo físico de maneira bem mais significativa, inclusive, influenciando acontecimentos e desencadeando eventos poderoso, como grandes catástrofes naturais.

Os Espíritos, de um modo geral, podem ser vistos como “Iluminados” ou “Sem-Luz”, embora sua maioria vá além do simples “branco-no-preto” que é a dualidade entre Bem e Mal, agindo cada qual de acordo com sua livre vontade, limitados pelos elementos aos quais se ligaram. A força dos espíritos do tipo fantasma e espectro vai até onde eles conseguem absorver das pessoas as quais eles sugam energia, o que geralmente não é muito; já as Entidades possuem uma ampla classificação de poder. Os seres Iluminados, ao conseguir uma grande quantidade de poder, se elevam à denominação de Divindades; os seres Sem-Luz, ao adquirirem uma grande quantidade de poder, são considerados, genericamente, como Demônios. E além das Divindades e Demônios, existem os Nous, seres de poder cósmico criados a partir da Deidade, um aglomerado de energia da Consciência Universal originário diretamente da Árvore da Vida – grandes exemplos de Nous são Poimandres, Abraxas, e os próprios Demiurgos (seres construtores de Galáxias e até Universos inteiros). Muitas Divindades e Demônios, para continuarem a existir, precisam, em certa instância, dos humanos, que precisam os cultuar, oferecendo-lhes sacrifícios, oferendas e orações, do contrário, em algum momento, eles perderão sua potência e se perderão no Vazio, já os Nous tiram sua força diretamente da energia primitiva que deu origem a todo a existência.

Os Seres Etéreos, de modo geral, existem “por traz do Véu”, no Plano Astral, onde há diversas Dimensões (sendo a Dimensão Etérea o centro e o ponto de ligação entre todas elas). Entre estas Dimensões, vistas como camadas do Plano Astral e que são basicamente feitas energia, estão o que normalmente se conceituam como “Céu” e “Inferno” (chamados também por outros nomes, de acordo com cada cultura), ou seja, um lugar (ou lugares) de Extrema Luminosidade, e um lugar (ou lugares) de Extrema Escuridão, sendo este(s) primeiro(s) onde habitam as Entidades e menores Espíritos de Luz, e no(s) segundo(s), onde habitam as Entidades e menores Espíritos Sem-Luz (ou de Trevas).

No decorrer da História, com todas as culturas/religiões que passaram pelo mundo, registrou a existência de inúmeras destas Entidades e Espíritos, numa escala que torna impossível a tarefa de sua completa catalogação, porém, historicamente, houveram algumas tentativas, as mais bem-sucedidas culminando na Teurgia e na Goécia, correntes esotéricas que listaram e criaram hierarquias para os seres de Luz (Celestiais) e de Trevas (Abissais), sendo a Goécia muito conhecida pelos seus 72 Demônios listados, descritos nas obras antigas relacionadas ao cristianismo e a religiões consideradas mais “recentes”. Diversos destes seres Celestiais e Abissais cruzaram, em um momento ou outro, os caminhos da Alquimia e, de fato, muito se fala à respeito do encontro de Hermes Trismegisto com Poimandres, um ser que supostamente comera um dos Frutos Eternos diretamente da Árvore da Vida, elevado assim à condição de Nous, uma criatura cósmica de infinito poder e conhecimento. Poimandres, que assume a forma de um dragão de mil asas, é visto como a “Entidade acima da Divindade”, o detentor máximo da sabedoria e conhecimentos do Universo, sendo ele quem guarda a Suprema Ankh, a chave que dá entrada ao Reino Espiritual, o ponto mais profundo da Dimensão Etérea.

Trismegisto foi o primeiro e um dos únicos a conseguir a permissão de Poimandres para adentrar ao Reino e chegar ao Templo do Conhecimento, onde, após sua Última Passagem, seu espírito passou a residir, lá permanecendo até a atualidade, pois quem a este lugar consegue atingir, quebra com Samsara, a força que faz com que as almas renasçam infinitamente no mundo físico, respeitando o ciclo da transmigração ditado pela Árvore da Vida, que representa “o cair das folhas, que acumulam-se nas raízes e alimentam a árvore, fazendo com que novas folhas nasçam em seus galhos, para cair novamente”.