No decorrer da História da Alquimia, muitos praticantes tentaram reproduzir a vida a partir de objetos e elementos inanimados, sendo este um dos maiores objetivos de algumas das Ordens Herméticas, no entanto, ao invés do esperado “Homúnculo” (uma suposta criatura de feições humanas e de estatura de poucos polegares), o que conseguia-se, no máximo, era criar-se aquilo que se denomina como “Gólem”, seres feitos geralmente de barro e que, na realidade, não estão de fato vivos, não tendo consciência própria, emoções e sequer podendo se comunicar, possuindo apenas mobilidade, força bruta e obedecendo aos comandos de seus respectivos mestres – daquele quem os criou. É importante ressaltar que, talvez confundidas pelo alcance dos Gólens como resultado, as visões que algumas sociedades esotéricas conceberam do homúnculo no decorrer dos séculos fez com que seu “formato” inicial em muito se deturpasse. Em certos meios, seu conceito se perdeu tanto que a criação do homúnculo passou a servir como sinônimo da criação de um corpo humano para que uma alma humana, na qualidade Ser Etéreo, pudesse habitar, metodicamente esquecendo-se da característica essencial desta criatura, a sua pequeneza, razão pela qual, inclusive, muitos tentaram produzi-la dentro de ovos de galinha.

Há, em toda a Genealogia Mágica, um único caso de sucesso na feitura do homúnculo, e este partiu do próprio Hermes Trismegisto, o Pai da Alquimia. Remonta a ele, portanto, a criação do primeiro duende: um ser de aparência completamente humana, minúsculo, possuidor de consciência própria e todas a faculdades intelectuais, e extremamente ligado à natureza e aos metais, que foram e são a maior paixão e interesse dos alquimistas. A obra de Trismegisto era tão perfeitamente constituída que, a partir de si próprio, o primeiro duende foi capaz de reproduzir-se, e assim propagar sua raça, que passou a habitar florestas e bosques, normalmente próximos à montanhas e rios, desempenhando o papel que ganharam na Natureza ocultos de olhos humanos, tornando-se mais uma entre as diversas raças de seres considerados "míticos”, cuja existência alguns acreditam ser mero folclore.

Estes seres, os quais o senso comum caracterizou com o termo “Monstros” são, em sua maioria, frutos da mesma evolução por seleção natural ocorrida em todas as espécies animais que, em algum momento, receberam a Chama Anímica (alma) como uma dádiva vinda da Árvore da Vida, desenvolvendo princípios emocionais e de intelecto em escalas diferentes entre si; e assim como várias das espécies animais, muitas destas criaturas encontraram seu fim – ora interrompidas naturalmente pelo ciclo da existência, ora caçadas até a extinção por obra de outra espécie, a humana, principalmente. Algumas destas criaturas maravilhosas, tendo uma relação mais íntima com as energias mágicas presentes no ambiente, ou havendo desenvolvido uma afinidade diversa com a Chama Anímica, passaram a apresentar habilidades e poderes que despertaram grande interesse no Homem; o que, em determinados casos, foi a causa de sua caça predatória.

E a ganância e a arrogância humanas, sem conhecer limites, com o tempo, fez com que uma porção de criaturas passasse a existir em meio a estes puros seres da Natureza, através de macabras experiências, maldições negras ou pelo favor de algum Ser Etéreo, liberando males na Terra verdadeiramente dignos dos mitos que os cercam.