Não há dúvida de que a descoberta dos metais foi um grande marco para a humanidade, e à medida que aprendeu-se efetivamente a extraí-los do solo e a manipulá-los, surgiu também a Metalurgia, que condensou estes conhecimentos práticos num compêndio organizado, formando esta ciência que, mais tarde, passou a ser um componente base da Alquimia, assim como a Medicina. E, de certa forma, na Alquimia, a Medicina e a Metalurgia foram paralelos que caminharam juntos, pois um fator comum os ligava fortemente: a Pedra Filosofal.

É sabido que, um dos maiores objetivos das sociedades alquimistas da Europa medieval, além de reproduzir a vida a partir de elementos inanimados, era o de atingir a “cura para todas as maledicências”, ou seja, conseguir produzir o Elixir da Vida Eterna. Por sua vez, essa poção lendária, de acordo com alguns relatos, só seria obtida através da recriação da Pedra Filosofal – artefato mágico que poderia, além disso, transformar metais economicamente mais baratos, como chumbo e ferro, em ouro.

Assim, em dado momento, iniciou-se uma corrida pela sintetização da Pedra Filosofal, onde destacavam-se um grupo mais ligado à Medicina, que buscava a cura para a morte, e outro, pendendo para a Metalurgia, cuja primazia era a conquista de riquezas materiais.

Nota-se, contudo, que, no decorrer da História, muito se falou em “receitas” para a obtenção desse mineral, e, de fato, em toda a literatura acerca da Pedra Filosofal, referem-se a ela como uma “descoberta” ou uma “recriação”, remetendo à um elemento já preexistente que buscava-se, portanto, copiar. Nesse ponto é cabível afirmar que uma verdade muito mais profunda, conhecida somente pelos membros mais antigos da Ordem Herdeiros de Trismegisto, se esconde acerca da real origem dessa substância tão cobiçada, e para explica-la adequadamente é preciso um vislumbre da biografia oculta do primeiro alquimista, o único a possuir a verdadeira Pedra.

No centro da Dimensão Etérea, onde reside o Reino Espiritual no qual o Nous Poimandres faz sua guarda, está a Árvore da Vida, com seus incontáveis galhos incandescentes a estender-se por todo o Plano Astral e pelo universo invisível. Dos frutos desta Árvore, vêm todas as almas de todas as galáxias, e as águas turbulentas que encobrem suas raízes suspensas têm a capacidade de restituir a juventude daqueles quem nelas se banham – como aconteceu com Hermes Trismegisto, o único dos não-Nous a vislumbrá-la em primeira pessoa e retornar. No interior desse lago cósmico onde a Árvore-que-a-Tudo-Liga existe, detritos planetários e poeira estelar orbitam, como seixos na bacia de um rio. Quando Hermes nesse turbilhão de substância luminosa banhou-se e depois fez seu retorno ao Plano Físico (onde viveu para disseminar seus conhecimentos e realizar seus grandes feitos), ele havia trazido consigo uma pequena pedra deste lago, passando a utilizá-la como amuleto. Somente mais tarde descobriu-se que este era um mineral extremamente especial, que ligava seu portador à energia cósmica da Árvore, concedendo-lhe a habilidade de facilmente transformar a constituição da matéria, alterando a essência dos elementos nela presente.

Quando o Mestre dos Mestres, após o abandono definitivo de seu corpo físico, retornou ao Templo do Conhecimento e lá fez sua eterna residência, ele fez questão de devolver este incrível minério – que a essa altura já havia sido nomeado de Pedra Filosofal – ao seu local de origem, deixando para trás apenas registros indiretos e não muito precisos dos feitos que com ele alcançara.

Guiados então pelos relatos e seguindo uma lenda, os alquimistas subsequentes desenvolveram esta ideia irreal de que, de alguma forma, com alguma mágica receita, eles também conseguiriam ter uma Pedra que possuísse os atributos da Filosofal, e assim iniciou-se a busca (vã) para sua sintetização, resultando em vários fracassos e desensejos. Metalurgia, o Elixir da Vida Eterna e a Pedra Filosofal.