Os rituais são basicamente compreendidos e definidos como performances de formalidade, sendo conjuntos de gestos e palavras de valor simbólico que tencionam evocar o poder de uma determinada massa de energia – que servirá a algum propósito específico.

Para a grande maioria de praticantes da Sagrada Arte, a execução de feitiços – neste caso, denominados mais corretamente como “conjuros” –, só se mostra possível através da realização de algum tipo de ritual, havendo para cada conjuro existente um ritual equivalente, capaz de o concretizar. Em meio à essa diversidade quase infinita de rituais podemos, porém, facilmente agrupá-los em três classificações gerais, cada qual tendo uma parte e sua contraparte, que o antagoniza, ou, de alguma maneira, o completa e complementa.

Na primeira classificação, encontramos os Rituais de Nascimento, que envolvem principalmente cerimônias de batismo, onde se oferecem bênçãos ao recém-nascido; e os Rituais de Falecimento, referindo-se aos ritos funerários, que na maioria das vezes tencionam “auxiliar” o espírito que desencarnou a fazer uma travessia segura pela Última Passagem. Exemplos de Rituais destes dois tipos estão presentes em praticamente todas as culturas, e nem sempre envolvem práticas mágicas, mas apenas elementos ditados pela tradição nacional. Um adendo especial sobre os Rituais de Nascimento e Falecimento é que eles não existem necessariamente somente após o advento do nascimento ou do falecimento; feitiços que contribuem para a fertilidade feminina ou que constituem as chamadas “maldições de morte” se encaixam nestes conceitos de classificação, à medida que sua realização depende de um rito, ou “receita”, para ocorrer, os seus resultados influenciados por intenções de Vida ou de Morte.

Na segunda classificação, temos os Rituais de Colheita e os Rituais de Sacrifício. Os de Colheita, que geralmente buscam a prosperidade (podendo esta manifestar-se materialmente no formato de riquezas e conhecimentos, tanto quanto na aquisição de algum poder espiritual ou mágico), pedindo-a à alguma Força, que mais comumente refere-se à um Espírito Natural ou à uma Entidade Divina ou Demoníaca. Por esta razão, os Rituais de Colheita sempre andam de mãos dadas com os Rituais de Sacrifício, pois para se obter algum poder ou alcançar-se algum objetivo, é preciso dar algo igualmente valioso em troca. O próprio ato da oração é um ótimo exemplo de rituais de Colheita/Sacrifício, na proporção em que se “pede” algo, ofertando – mesmo que sem consciência disto –, sua energia e poder de crença à quem o pedido se dirige, selando uma espécie de troca.

Na terceira e última classificação, estão os Rituais de Controle e Rituais de Transmutação, que trabalham diretamente com a manipulação da energia (independentemente de sua fonte), manifestando-a de uma porção de maneiras, e, respectivamente, na sua sistemática mudança, que parte de um estágio de Destruição de uma coisa para a Criação de outra. Magias de vínculo (como é o caso de algumas cerimônias matrimoniais), ou mesmo a invocação ou exorcismo de um Ser Etéreo são sinônimos de Rituais de Controle, ao passo que a conversão de um elemento químico em outro, ou a transformação da água em vinho, ou uma curandeira convertendo a energia negativa de uma doença em uma energia neutra – ou positiva, vibrante de saúde – representam a ideia dos Rituais de Transmutação. Assim, de modo geral, enquanto estes primeiros visam basicamente a “condução” de uma energia, como a canalização de um rio, os últimos visam transformar essa energia tornando-a em algo diferente.

Alguns rituais podem fazer parte de mais de uma classificação, mas o fato essencial deles é que todos, absolutamente sem exceção, devem respeitar os Princípios Universais, que regem toda a prática mágica.

A performance correta de alguns rituais carece, inevitavelmente, da administração de poções específicas, que fazem parte do processo desejado. No sentido mais simples, poções são misturas herbáceas, minerais e de origem animal que podem visar propósitos medicinais de cura física, mental e espiritual, tanto quanto o alcance de efeitos mágicos variados, como os buscados pelos rituais nos quais as envolvem. Elas podem se apresentar em diversos formatos e terem diversas aplicações: podem ser em pasta, para serem passadas e massageadas por partes do corpo; vir na forma líquida para ser bebida ou sólida para ser comida; apenas líquida para ser injetada; ou tendo seu efeito amplificado pela combustão, sendo inspirada em fumaça ou vapor. Em sua criação, uma poção passa por pelo menos um dos Doze Processos Alquímicos, que são etapas de preparo e transmutação de seus ingredientes, cada qual sendo tradicionalmente associado a um Signo Zodiacal e a seu planeta regente correspondente.

Outro componente importante e corriqueiro dos rituais é a imprecação de algum objeto de valor mágico e, entrando neste mérito, é aceitável frisar que nenhum objeto tem de fato a magia como um elemento inerente à sua composição, porém, com certos rituais (do tipo Sacrifício, geralmente) seria possível imbuir sua estrutura com tal, o que lhe permitiria desenvolver funções específicas para fins mágicos. Varinhas, cajados, bolas de cristal são excelentes exemplos de artefatos mágicos que ajudam seus portadores a melhor concentrar sua energia espiritual/mágica para realizar adequadamente algum feitiço/conjuro.

E certamente não se pode esquecer da existência dos artefatos amaldiçoados e/ou abençoados, seletivamente enfeitiçados para esse ou aquele motivo de acordo com as mais variadas intenções. Neste ponto, como comentário adicional ao tema, pode-se dizer que, seguindo este conceito, da mesma forma que um objeto pode sofrer uma imbuição de magia, também o pode um lugar, embora, para este, o processo de energização venha a acontecer, na maioria das vezes, naturalmente, devido a algum evento “traumatizante” ocorrido ali, ou então pela presença de algum Ser Etéreo atado às suas dependências.