Meu professor, ávido jogador de RPG e nerd de carteirinha, explicava para nós a relação que Star Wars e Karatê Kid tinham em comum. Neste momento você deve estar, assim como eu fiquei na época, se questionando “mas o que raios um clássico sci-fi da década de oitenta e um filme sessão da tarde tem em comum?”. Os pontos a seguir podem te deixar tão surpreso quanto eu fiquei.

A Jornada do Herói (ou Monomito), identificada por Joseph Campbell, grande estudioso de histórias e mitos, consiste em 3 Atos e 12 Passos. Esses passos foram seguidos por inúmeros autores ao longo de suas jornadas literárias. Quer ver alguns exemplos?

J.R.R Tolkien em o Hobbit e toda a trilogia do Senhor dos Anéis; C.S Lewis em Nárnia; J.K Rowling em toda a saga do nosso queridinho bruxo Harry Potter e Suzanne Collins em Jogos Vorazes. Se você ainda não está convencido, essa fórmula também é aplicada na literatura brasileira: Eduardo Spohr trabalha a jornada do herói em sua trilogia Filhos do Éden (em A Batalha do Apocalipse temos um outro arquétipo de herói que falaremos em outro momento); Leonel Caldela também a utiliza em sua trilogia, ainda em processo de finalização, A Lenda de Ruff Ghanor.

Convencido? Então agora é hora de botar a mão na massa! O passo-a-passo de como criar uma história épica e cativante é bem simples e você não precisa esperar por sua carta para Hogwarts ou a visita de um mago para se aventurar nesses 12 passos:

Ato I — A Partida

1. O Mundo Comum

Aqui nós conhecemos o protagonista e entendemos um pouco como funciona o seu mundo. Aqui somos contextualizados.

2. O Chamado à Aventura

Algo muda totalmente a vida do herói e ele sente a necessidade de tornar-se muito mais do que simplesmente é.

3. A Recusa do Chamado

O herói sente medo do que está por vir.

4. Encontro com o Mentor

Alguém ajuda o herói a se encontrar e se desenvolver, normalmente representado por um mestre ancião.

5. O Cruzamento do Limiar

Aceitação do abandono de seu antigo mundo e integração de um novo contexto.

6. Testes, Aliado e Inimigos

Testado, física, espiritual e emocionalmente, o herói já luta com os seus inimigos.

Ato II — A Iniciação

7. Aproximação da Caverna Profunda (estrada de ensaios e a abordagem)

O herói como um cavaleiro solitário lutando pelos seus princípios e/ou juntando-se a aliados para a batalha final.

8. Provocação

Onde temos uma das maiores provações do herói. Ele deve enfrentar seu maior medo.

9. Recompensa

Após enfrentar seu medo, se torna algo mais do que o simples herói que era.

Ato III — Retorno

10. A Estrada sem Volta (a recusa do retorno, a luta mágica e a necessidade da volta).

Nessas três vertentes, temos respectivamente, o herói superando seu medo, se recusa a voltar para sua dor, algo ameaça a recompensa e a paz criados pelo herói e, por fim, ele precisa e sente a necessidade de retornar a sua vida de “batalhas”.

11. Ressureição

O clímax final, onde o herói é testado pela última vez, onde ele é empurrado a todos os seus limites. Aqui ele usa todo o conhecimento que aprendeu ao longo dos anos de treinamentos e batalhas. Ao final é transformado.

12. Liberdade para Viver

Ele finalmente pode viver sua vida, sabendo que o mundo estará seguro.

Agora você está pronto para embarcar em sua própria jornada e levar seus leitores para novos mundos e novos desafios!

Dentre as várias obras (literárias e cinematográficas) que temos conhecimento, pode apostar que mais da metade delas seguem a Jornada do Herói de Campbell a risca. Luke Skywalker, Neo, Harry Potter, Frodo e Bilbo Bolseiro, Daniel-san, Seiya, Bruce Wayne, Dorothy e muitos outros heróis que fazem parte do nosso mundo passaram por todos estes momentos em sua busca de aventura e retorno a seus lares. Receita para o sucesso? Talvez. Um excelente caminho para criar uma aventura inesquecível para seus leitores? Com toda a certeza!