Histórias curtas diárias

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Toda semana um novo Mini para você.

Amor?
Suspense

I.

Odeio chuvas de verão.
Em um momento está tudo claro e do nada, ela vem, em toda sua glória. A chuva me pegou pouco antes de chegar em casa. Entro, tiro os óculos e a roupa molhada e vou pro banheiro. Só depois me dou conta de que esqueci o shampoo no guarda-roupa. Droga.

II.

Ouço a porta abrindo, meu amor chegou, que bom.
— Amor? Pode pegar meu shampoo pra mim? Tá lá no guarda-roupa.
Ele não responde, deve estar estressado hoje, mas escuto a porta do guarda-roupa abrindo e em seguida a silhueta de sua mão deixando o shampoo no box.

III.

— Obrigado querido.
Terminando de me enxugar. Ouço a porta de casa abrindo novamente. Ponho os óculos e saio do banheiro.
— Oi amor. Vai sair de novo?

IV.

— O que quer dizer, meu bem? Acabei de chegar.
— Se você acabou de chegar... Então quem me entregou o meu shampoo?

V.

Bom dia
Terror

I.

Acordou com os primeiros raios de sol dançando por entre as finas camadas de tecido que cobriam a janela do quarto.

Deu um salto da cama e com entusiasmo abriu a cortina, gritando:

- BOMMM DIA SOL!

II.

Uma onda de terror tomou conta do seu corpo, quando o sol respondeu ao seu "bom dia" com uma piscadela maliciosa.

Nunca mais abriu aquela janela, nem deixou de tomar seus remédios.

III.

IV.

V.

O Vulto
Terror

I.

Estava no quarto da minha esposa, quando um ruído vindo do quarto do meu filho chamou minha atenção.
Corri até lá. Pela porta, antes de entrar, já foi possível ver um vulto projetado sobre o berço.

II.

— Vá embora! – Ordenei, usando todas minhas forças.
A sombra se virou surpresa. Um som, que muito pouco lembrava a voz humana, saiu daquilo que talvez um dia fosse uma boca.

III.

— Não sabia que a casa já estava ocupada. Deveria cuidar melhor do seu território!
Falou, enquanto desaparecia como fumaça levada por uma brisa agoniante.

IV.

Fui até o berço e meu filho seguia dormindo, sereno e tranquilo. Só então consegui parar de tremer. Não pensava ser possível sentir tanto medo, mesmo depois de já ter morrido.

V.

Não tem certeza de qual ler primeiro?

Vamos olhar todo o catálogo de mini contos da Bilbbo e trazer um que seja a sua cara!

Ler meu Mini!
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Adolfo
Suspense

I.

Nem os olhos roxos conseguiam retirar o sorriso simpático, enquanto ela oferecia seus biscoitinhos para toda a delegacia.

O delegado chamou-a em sua sala.

- Dona Nina, conte novamente seu incidente, por favor.

II.

- Pois bem. Dos maridos que tive, Adolfo até foi um dos bons, mas se fosse contrariado, era em mim que descontava sua frustração.

- Sempre foi ou hoje foi a gota d'água?

- Ele era bem previsível, sabe? Mas aí...

III.

- Mas aí...?

Um brilho no olhar daquela senhora ligou o alerta na cabeça dele.

- Não admito palavrão em minha casa, senhor. Ele me chamou de puta! Enfiei minha melhor faca nas costas dele.

Dona Nina sorriu.

IV.

Ele recebeu uma mensagem no celular: "Achamos mais 'coisas' na casa da senhora."

- Aceita outro biscoitinho enquanto lhe conto minha sina de viúva?

V.

Alfredo
Suspense

I.

Calma, Dona Nina falava com o delegado, enquanto este devorava seu biscoitinho.

- Alfredo foi meu primeiro marido. Desatento ao extremo. Passei os primeiros anos me devotando a ele.

No celular do delegado, mensagens surgiam.

II.

"Ela tem um porão! Parece o asilo de 'Jogos Mortais'. Quem mais morava com eles?"

Doce, ela falava:

- Aí, você tem uma iluminação. Ele me trocava pelos amigos e o futebol. - Que espécie de homem faz isso? Um dia, passei as roupas dele e preparei o café.

III.

- Até pão quente com manteiga fiz. Mal-humorado, não disse nem bom dia ou muito obrigado. Comeu em silêncio, o traste! Sequer sentiu o gosto do veneno de rato.

Em silêncio, o delegado olhou o biscoitinho mordido.

IV.

- Não se preocupe. O senhor parece dar a atenção necessária a uma mulher.

Disse ela sorrindo.

V.

Alberto
Suspense

I.

"Estou aguardando a análise de um objeto suspeito.", dizia a mensagem.

- Dona Nina, pelo que eu percebi, não houve nenhum marido que não….

- Me aborreceu? Ela sorriu.

- Ah, bem, teve o Alberto. Tocava violão e cantava para mim.

II.

- Adorava Ritchie…"Menina veneno, você tem um jeito doce de ser…"

- Outro marido com A?!

- E tem algo errado nisso, senhor?

- Não, inclusive, meu nome é Adriano. 

- Mas o mundo é pequeno demais!

III.

- Aceite mais um biscoito, sim?
Ofereceu, deliciada.

- E o que houve com o Alberto?

- Oh! Meu querido Alberto faleceu.Era alguns anos mais velho do que eu. Câncer no pâncreas; não havia o que fazer! Quase fui à falência para salvá-lo. 

IV.

“Confirmamos que o abajur é feito de carne humana.”, estava na mensagem.

- Mas ainda bem que salvei uma parte dele que vela meu sono todas as noites...

V.

Aquino
Suspense

I.

O delegado, educado, falava:
- A escrivã foi fazer um café. Aceita?
 
-Por que não?
Dona Nina sorriu.

-Aquino, meu outro marido, bebia muito, para curar as ressacas. Eu perdoava o alcoolismo. Não satisfeito, ele me traiu com uma sirigaita qualquer.

II.

- Por causa dele, quase fiz algo que me arrependi. Com o encanador. Um rapaz bonito. E eu era mais jovem.

- Ele me beijava perto da pia. Me fazia sentir coisas, sensações. Quando eu lembrei que era casada, acertei a cabeça dele com a chave de grifo.

III.

- Aquino chegou bêbado e cheirando perfume barato. 'Estava cuidando de minhas coisas, megera!', ele disse.

- A culpa foi dele. Quase virei uma adúltera. Por isso, acertei-o com a mesma chave de grifo.

IV.

- Os dois adubam meu jardim até hoje.

No celular, surgiu a mensagem:
"Há dois esqueletos no jardim."

V.

Alcides
Suspense

I.

Os biscoitinhos tinham acabado. Dona Nina parecia uma avó contemplando seu neto. O delegado estava empanturrado. Tentou se justificar:

- Parei de fumar há pouco tempo, então, estou substituindo o cigarro pelo doce. Mas estavam realmente bons!

II.

- Entendo. Meu Alcides tentou muitas vezes largar esse vício também. Fez de tudo um pouco, e começou a engordar, mas não de uma forma boa. Ele comia um bolo inteiro se eu deixasse, sabe?

- E imagino que a senhora ficou escrava do fogão?

III.

- Fiquei, mas não por muito tempo. Piscou.

Sem mensagens. Bom sinal?

- Não precisei fazer muito. Ele morreu intoxicado com uma fornada de biscoitinhos, exatamente como essa.

IV.

- Usei meu ingrediente secreto... Pó de Maridos.

Gargalhou. 

O delegado só teve tempo de chegar ao corredor. Outros desavisados estavam no mesmo estado.

V.

Adriano
Suspense

I.

Alguns meses depois...

- Sabia que viria me visitar.
Disse dona Nina, na área de visitas da Prisão.

Adriano sentou-se ao lado dela:
- Tinha de vir. Tenho uma pergunta. A senhora poderia permanecer ilesa. Por que ir à delegacia? Por que se entregar?

II.

O sorriso no rosto, a senhora disse:
- Não. Eu não me entreguei. De que adiantaria fazer o que fiz, sem contar a ninguém. Não tenho filhos e o senhor me pareceu o mais próximo a um neto.

- Peraí! Não se arrependeu?

III.

- Todos os meus maridos foram homens terríveis. Ninguém vê isso. Quem era o monstro, afinal?

- Mesmo com o que acharam em sua casa, a senhora ainda conseguirá sair por causa de sua idade.

- O advogado foi muito bom. Lembrou meu finado Astrogildo.

IV.

- A senhora teve um marido advogado?

- Se tiver tempo, posso continuar contando minha sina de viúva.

V.

Terror
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A Espera
Terror

I.

- Que frio, não acha?

- Não.

- Só queria conversar. Essa parada é escura, estou com medo de ficar sozinha depois que seu ônibus chegar.

- Desculpe, estou de mau humor com a espera do ônibus.

II.

- Faz tempo que espera?

- Não lembro, o seu atrasou?

- Não sei... Você tem horas?

- Que horas é o seu ônibus?

- Não sei.

- Então ajuda saber as horas?

III.

- Tem razão. Qual você está esperando?

- Qualquer um.

- Qualquer um?

- Não sei onde ir. Para quem não sabe, qualquer um serve.

- Também não sei qual pegar.

- Já nos vimos?

IV.

- Talvez, por isso não tive medo de puxar assunto. Aqui me dá calafrios.

- Também não gosto.

- Sabe, não sou medrosa, mas ouvi dizer que quando alguém morre fica em um looping, revivendo a mesma cena, até estar pronto para seguir. Só de pensar em fantasmas fico congelada.

V.

- ...

- Que frio, não acha?

A Descida
Terror

I.

O elevador descia vagarosamente, como se, por sarcasmo, quisesse que ele pensasse em seus pecados. O calor, que já estava insuportável antes, agora parecia queimar lentamente cada célula do seu corpo, fazendo o suor em seu rosto ziguezaguear desagradavelmente, até cada gota despencar contra o chão.

II.

Um lento blues tocava no fundo do elevador. "Música do diabo" pensou ele, sentindo cada nota infernal arder em sua cabeça, forçando-o a fechar os olhos e ver, no escuro deles, o sorriso do seu anfitrião.

III.

- Pelo amor de Deus, da pra descer mais rápido?!

- Gritou contra as grandes portas de aço. E riu, quando se deu conta do que disse.

IV.

O grito não ajudou, e a demora se estendeu por um bom tempo.

Quando enfim as portas se abriram,
mesmo estando no inferno, ele rezou para que elas se fechassem novamente.

V.

Balanço
Terror

I.

Sempre tive o hábito de me sentar em minha cadeira de balanço, na minha varanda, e observar o mundo.
E todos que por ali passavam me cumprimentavam. "Bom dia", "Boa Tarde", "Boa noite", "Bênça, pai", "Bênça, vô".

II.

No vai e vem de minha cadeira, vi muitos chegando e mais ainda se despedindo.
Vi o mundo mudando. Me vi envelhecendo.
Hoje em dia, as pessoas não me cumprimentam mais. Ignoram-me. Viram o rosto.

III.

Esta geração é estranha, sem educação.
E assim passam esses hábitos para seus filhos.
Outro dia, escutei alguém dizer a uma criança inocente, que chegou perto de mim e da minha cadeira, palavras que ainda não entendi.

IV.

"Não chegue perto desta cadeira! Já falamos que ela é assombrada! Olha ali! Agora mesmo, o fantasma do falecido vovô deve estar se balançando nela!"

V.

Posto
Terror

I.

Madrugada.

O carro do casal seguia pela pista chuvosa, até um som estranho interromper a viagem.

O carro quebrara. Celulares sem bateria, para ajudar. No caminho, apenas um posto de gasolina.

II.

Pararam no lugar que descobriram fechado. Ao longe, viram um vigia encapotado.

Por mais que tentassem, não conseguiam se aproximar do homem ou aparição.

Amedrontados e cansados, trancaram-se no carro.

III.

De repente, batidas na janela.
O encapuzado, com uma lanterna em mãos, perguntava se poderia ajudar.

Abriu o capô do carro, consertou o defeito. Abasteceu o carro deles de graça e aconselhou-os a tomar mais cuidado nas viagens em estradas chuvosas.

IV.

O casal, mais tranquilo, seguiu viagem, agradecidos àquela boa alma.

Tempos depois, descobriram que nunca houve um vigia noturno naquele posto.

V.

Cantiga
Terror

I.

Larry, Larry, Larry o espantalho

Todos dizem que passava
o dia inteiro pendurado
por um cabo de vassoura,
no campo do Seu Fábio.

Destruído pelo tempo,
já não tinha mais um lado.
E redondo em sua barriga,
já se via um buraco.

II.

Ainda nessa história,
Havia Billy Delgado
O filho do fazendeiro
e que era muito mal criado.

Todo dia, depois da escola,
o rapaz voltava irritado
e, sempre, depois da colheita,

ele amassava Larry com o arado.

III.

No Halloween, no entanto,
depois de uma festa do condado,
Billy resolveu voltar sozinho
e entrou no campo para um atalho.

Larry, vendo a oportunidade,
desceu de seu lugar com cuidado.
E pela manhã, Billy havia sumido
e Larry tinha um novo braço.

IV.

V.

Pescaria
Terror

I.

O pai virou-se para ele e disse:
- Bora pescar, menino! Descobri um açude na beira da estrada velha aonde só tem peixe grande!
Animado, o menino pegou suas tralhas e partiram.

II.

O asfalto deu lugar a terra vermelha, cercada de capim alto dos dois lados, mas nada do tal açude aparecer, até que avistaram carros estacionados, cobertos de pó.
- É aqui! -declarou, parando na ribanceira.
Pegou suas tralhas e pulou no mato.

III.

Glup!
- Eita!
Tchibum!
"Não é que o velho acertou?!", pensou o filho.
Silêncio na margem d'água.

IV.

- Pai? -chamou.
Em resposta, ouviu uma risada.
Abrindo passagem no matagal, o menino viu uma mulher. Ela mastigava satisfeita na sombra, e agitava a água com sua calda.
Ao lado dele, o primeiro pescador fantasma da longa fila, grunhiu:
- Essa Iara é uma desgraçada mesmo!!

V.

Drama
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Cordão
Drama

I.

O que foi filha?
Porquê está chorando?

Nada não mãe, é apenas minha TPM. Dessa vez esta bem complicada.

Termino a conversa e subo para meu quarto.
Não consigo parar de pensar.

II.

Era essa semana que iria dar a luz. Hoje completariam os 9 meses. Ele se chamaria Pedro.
Ironia não?! Ser o mesmo nome do açougueiro que tirou ele de mim.

III.

IV.

V.

O Empata
Drama

I.

Sentada, ao meu lado, na sala de aula, está a menina mais linda do mundo. Seu nome é Roberta. É minha vizinha de frente, mas não sei se ela sabe. E hoje ela está mais triste do que de costume. Pelo seus olhos vermelhos, com o esquerdo levemente inchado, sei que as coisas não andam muito bem.

II.

Quando seus pais brigam, sempre sobra pra ela. Gostaria muito de tirá-la desse mundo de dor...

Eu sigo o caminho que ela faz, cortando por um beco. Chuto uma pedra que bate numa lata. Roberta olha pra trás, mas ao me ver, relaxa. Sorrindo, vou ao seu encontro. Quero mostrar que eu entendo sua tristeza.

III.

Seguro com minhas duas mãos seu pescoço e aperto. Roberta se assusta, depois se entrega. Vejo nos seus olhos que ela segue em paz. Suas lágrimas são de agradecimento.

IV.

Existem muitas formas de ter empatia pelos outros, e muitas formas de demonstrá-las. Cada um faz sua parte, não é mesmo?

V.

Aos Domingos
Drama

I.

Meu pai manda eu virar "homem de verdade" e diz que os adolescentes de hoje são "frescos demais" toda vez que falo sobre veganismo em casa.

Entendo a dificuldade em ver a carne como produto da exploração, já que somos acostumados a vê-la como o prato principal de quase todas as refeições.

II.

Mas desde o dia em que vi aquele documentário, não consigo mais engolir essa história. Milhares de seres humanos são presos em pequenas celas, forçados a comer uma mistura para encorpar. As mulheres são estupradas a fim de engravidar e produzir leite.

III.

Se nascer uma menina, encontrará o mesmo destino que a mãe; se for menino, provavelmente será transformado em vitela.

A mídia e médicos dizem que eles não podem mais ser classificados como seres humanos, que nós os salvamos da fome e da miséria e que é extremamente necessário para a nossa saúde continuar consumindo carne e leite.

IV.

Séculos atrás extinguimos todos os animais irracionais da Terra. Será questão de tempo até nos extinguirmos também.

V.

O Roubo
Drama

I.

Senti quando me apalparam os bolsos, e sem saber quem era, virei-me bruscamente, buscando em alguma direção encontrar o responsável, que me subtraíra o ouro e a prata. Em vão, não encontrei sequer resquícios, mas além disso, alguns pelos brancos se sobressaíram em meio ao emaranhado de minha barba e cabelos.

II.

“- Ladrão!” – assim bradei.
Os guardas logo se prontificaram a buscar pelo meliante, mas também sem sucesso, quando então senti tocar-me novamente, e logo um punhado de conhecidos, amigos e familiares, desapareceram. Seria um sequestrador? Pensei comigo.

III.

Mas antes que entendesse tudo que se passava, fui tomado pelo cansaço e enfraquecido, roubaram-me também a vitalidade.
Por fim, caída ao chão, notei uma velha ampulheta e logo compreendi, o ladrão era o tempo.

IV.

V.

Esfíngico
Drama

I.

Desde criança tinha curiosidade em conhecer o baú secreto do senhor Wilson, um velho sábio que parecia saber de todas as coisas. Sempre ouvi dizer que se descobríssemos o que havia ali conseguiríamos finalmente descobrir o segredo que nos mantém vivos.

II.

Mas nunca ninguém conseguiu entrar naquela sala amarela onde ele ficava guardado pois o ancião não permitia que ninguém se aproximasse.

III.

Até que numa quarta-feira chuvosa enquanto Wilson preparava um café consegui aquilo que sempre foi tão ábdito, entrei na sala e rapidamente abri aquela grande caixa de madeira rústica, retirei um papel e li:

IV.

“Quando você descobrir o segredo que o mantém vivo não terá mais razão para continuar vivo. Não tenha pressa, nem medo e não busque sentido, viver já é a melhor descoberta que poderia fazer!”

V.

Planos
Drama

I.

Já faz algum tempo que ando me planejando.

Não fiz carta de despedida, não deixei coisas separadas para aqueles que poderiam querer algum tipo de satisfação. Apenas me planejei, cada passo, cada movimento, cada ação.

II.

Quando deixei aquele lugar, finalmente me desfiz das amarras que há tantos anos me prendiam e, pela primeira vez em muito tempo, respirei com alívio e sorri verdadeiramente.

III.

IV.

V.

Suspense
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Cotidiano
Suspense

I.

O trânsito estava intenso às 17h no centro do Rio, mas Eduardo não ligava. Era a terceira viagem que fazia sem descer do coletivo.

Com a testa colada contra a janela, acompanhava o cortejo luminoso das lanternas traseiras dos veículos, e suspirava.

II.

De repente…

- Perdeu otário! Passa tudo! - sussurrou um sujeito esquisito que tinha acabado de sentar a seu lado.

- Cara, acho que não vai dar. Noite ruim. - ele respondeu, sem mover um músculo.

III.

- Tá tirando onda, playboy? Passa o celular! - Rosnava o ladrão, com uma faca contra suas costelas.

Lentamente, Eduardo se ajeitou no banco e olhou para o meliante.

IV.

- Lamento. Um outro passou antes de você, e já não tenho mais nada que possa me tirar, a não ser a bala que ele deixou na minha testa. Serve?

V.

Sorte
Suspense

I.

Cibele acreditava que se ouvisse o Universo, ele lhe retribuiria de alguma forma, mas também relacionava sua sorte ao seu par de tênis verdes.

Se a semana começasse atravancada, era vestí-los e tudo fluiria bem até sexta-feira.

II.

Naquela sexta-feira não foi diferente: seu chefe elogiara seu serviço, teve seu almoço pago por um colega, sua nota na prova final fora a máxima e ainda pode se presentear com um novo corte de cabelo, pago com o dinheiro que achou na rua.

III.

Agradeceu ao Universo pela enxurrada de boa sorte.

Não percebeu que sua carona seguia para um caminho diferente, e nem que aquele não era o carro, nem o motorista do aplicativo.

IV.

Cibele foi achada treze semanas depois, vestindo apenas seus tênis verdes. 

O assassino quis mantê-los, pois acreditou que era um sinal de sorte pela sua sétima vítima.

V.

Acidentes
Suspense

I.

Quando eu ainda era um garotinho, desejei muito ter um bichinho de estimação, e que fosse só meu.     Minha mãe, como qualquer mãe, me advertiu sobre a responsabilidade e permitiu que eu tivesse. Ela sabia que eu cuidaria muito bem dele.

II.

Meu irmão, parecia não se importar com o fato de ter um animalzinho em casa, mas sempre que ele ficava a sós com meu bichinho, um "acidente" acontecia. Minha mãe, para evitar um confronto direto, me presenteava com outro. Quantos peixinhos, passarinhos e hamsters eu tive! E todos eles "acidentados".

III.

Então, veio meu primeiro cachorrinho;   o vira-lata mais esperto do mundo. Minha mãe sabia o quanto eu queria.  E eu sabia que não demoraria muito, e meu irmão ficaria sozinho com ele.

Decidi então ser prático: meu irmão sofreu um "acidente". Ele se foi, e meu cachorrinho ficou.

IV.

Vivi muito feliz com ele! E posso dizer que minha mãe também. Bom, ela nunca me disse o contrário, e nem ousou.

V.

Ó Céus
Suspense

I.

Lurdes estava sentada no banco da praça alimentando as pombas, quando um homem bastante alto sentou-se ao seu lado.

- Você veio me buscar?
- Sim.

- Posso terminar de alimentar as pombas?
- Claro.

II.

Após finalmente terminar de alimentar cada um dos pequenos pássaros, Lurdes olhou para o homem que vestia um elegante terno e perguntou.

- Como é lá? Digo, como é o céu?
- É lindo, perfeito e maravilhoso, como tem de ser.

III.

- Eu vou gostar?
- Provavelmente, gostaria bastante.

- Gostaria? - Perguntou surpresa.
- Sim, infelizmente você não vai pra lá.

Lurdes, agora em choque, tremia. Certamente, se já não fosse morrer, morreria de infarto agora mesmo.

IV.

- Mas sempre fui uma pessoa boa, bela, recatada e do lar.

- Eu sei Lurdes, é uma pena mesmo você não ter curtido aquela imagem de Jesus no Facebook e ter escolhido ir para o inferno.

V.

Dormente
Suspense

I.

Dizem que você vê demônios.
Dizem que você não pode se mexer.
Dizem que o terror é insuportável.

II.

A madrugada não é tão escura quanto as pessoas pensam.
Eu não sei o que adormeceu primeiro, se o meu corpo ou os meus sentimentos.
Mas acordei sozinho na escuridão e, pela primeira vez, senti medo.

III.

Onde estava o demônio? Onde estava? Imóvel, eu o busquei com o olhar.
Mas não havia nada. Era o breu. Aquilo era novo. Mas meu corpo, meu corpo...
Continuava inacessível.

IV.

Pensando bem, tudo faz sentido.
Os demônios só se interessam pelos vivos.

V.

Visita
Suspense

I.

- Papai, tem um homem lá em baixo. Disse que quer falar com o senhor.

- Você o convidou para entrar?

- Claro que ela convidou.

Disse a elegante voz, com um delicioso sarcasmo.

II.

- Este é o problema em ensinar bons modos para os filhos, antes de contar para eles sobre vampiros.

III.

IV.

V.

Romance
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Ping-Pong
Romance

I.

“Pera-uva-maçã?” Ele respondeu que salada de fruta.

Nunca ganhara um beijo, e queria que fosse do sabor da goma de mascar que ela usava.

Cada bola que ela fazia e estourava, sentia aquele cheiro delicioso de tutti-frutti.

II.

Ela olhou em seus olhos, estourou mais uma bola e perguntou se tinha que ser na boca.

“Oras, lógico, a brincadeira não é essa?” Não disse, mas pensou. Fez apenas que “sim” com a cabeça, olhando para os lados para ver se tinha algum adulto por perto.

III.

Porque gente grande não entende nada da pressa que as crianças têm para serem felizes o tempo todo. Para eles, tudo tem o seu tempo.

Mas o beijo que ele queria era para agora, não para quando fosse adulto com 15 anos.

IV.

Instintivamente, fechou os olhos. Foi quando um lábio doce e molhado encostou ao seu. E mil foguetes explodiram no céu, na mesma rapidez que seu coração quase parou... e ela se afastou, deixando em sua boca o chiclete Ping Pong mais gostoso da sua vida!

V.

Estrela
Romance

I.

Eu já amei uma vez.

A muito tempo atrás eu me lembro de ter visto uma estrela, foi a primeira vez que senti meu coração bater mais forte.

II.

Eu só queria tê-la, então desejei que ela ficasse.

Eu não acreditei quando percebi que ela vinha em minha direção.

III.

IV.

V.

Sonhadora
Romance

I.

Emilly cresceu ouvindo contos de fadas, ainda morava com os pais, fazia só tarefas domésticas, se preparando para um príncipe.

Ensaiava seu casamento e usava sempre longos vestidos.

II.

Um dia finalmente conheceu Vitor, que também procurava um relacionamento sério, pelo menos um sério, porque queria continuar com outros mais divertidos.

Daí ela finalmente percebeu que ninguém viria salvá-la!

III.

Ela precisava sair do “castelo”, matar seus próprios monstros, parar de depender de beijos e príncipes encantados, tirar aqueles vestidos “bregas” e mostrar que ela era dona de todo poder que buscava nos outros.

IV.

Hoje mora em um trailer turístico e ganha dinheiro levando pessoas a conhecerem lugares que inspiraram castelos de princesas. Conheceu Paulo e vivem cada dia como se fosse o último.

V.

Camila
Romance

I.

Deslizo a mão em seus cabelos grisalhos. Há tanta coisa para contar, sabe? Desde o dia que te conheci, quando de forma inusitada, te atropelei com a minha bike… 



II.

Nossa primeira dança no baile de formatura, nosso primeiro beijo lá na casa dos seus pais…

Depois disso, trabalhando, alugamos uma casinha e vivemos momentos maravilhosos; parecíamos duas crianças brincando sem nunca cansar.

III.

Sofri junto com você no nascimento do nosso primeiro filho, mas deu tudo certo. Aprendi, com muitos erros, a decifrar cada expressão e sentimentos teus. Não fomos para Paris ou Nova York, mas descobrimos muito do nosso Nordeste.

IV.

Hoje, por ironia do destino, você não se lembra mais de mim, nem dos nossos inúmeros momentos juntos.

V.

Mesmo assim, amanhã irei te contar tudo de novo, como se fosse a primeira vez.

Julieta
Romance

I.

De repente eu estava ali, olhando a sacada onde Romeu e Julieta fizeram suas juras de amor. Vi diversas mulheres deixando suas cartas com intuito de alguma forma serem respondidas.

II.

Sentei em um banco de pedra e acompanhei o vai e vem de pessoas durante todo o dia. Ao invés de escrever, resolvi pedir mentalmente o que eu gostaria.

III.

Olhei pra sacada e comecei:

- Querida Julieta, nesses 40 anos tive muitas decepções, algumas tão leves que mal me recordo. Outras tão duras que me deixam sem chão.

IV.

- Hoje venho te pedir que mande meu amor. Não importa sua cor, credo, forma física ou intelectual, desde que seja ELE…

V.

Antes que eu pudesse terminar meu pedido, senti uma mão pousando em meu ombro e quando eu olhei, eu sabia que era ele, pois era igual ao que aparecia em meus sonhos.

Apolo
Romance

I.

Onde vc está?
Sé. Longe... Vc?
Ainda esperando o busão
Meodeos...
Que foi?
Tem um deus grego aqui
No seu vagão?

II.

Na minha frente
Com sua sorte, só pode ser Hefesto
Não! É Apolo
Certeza? Vc nunca foi boa em mitologia grega
Apolo em toda sua glória
Manda foto
Como?

III.

Finge que tá mexendo em alguma coisa e tira, ué. Discretamente
Tá.

30 minutos depois.

Alice? Ta aí? Td bem?
Vc me paga!
?

IV.

Disparou o flash, paguei o maior mico da minha vida
HSHUASHHAUHSUA
Vc ri? Fiquei com tanta vergonha que saí do metrô, entrei no que estava do outro lado da plataforma e me perdi. Agora estou num ônibus que passa perto de cas.. meodeos!
O que?

V.

Ta vindo pra cá

Apolo acabou de entrar no ônibus
Não!!!!

30 minutos depois.

Alice? Kd vc? O que tá acontecendo?
Conto depois. Não da pra tirar foto agora S2 S2

SciFi
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Looping
Sci-Fi

I.

Seus olhos são como a Lua Cheia. Poderia ficar em looping, só para vê-la mais uma vez?Ela é Mariana, e de todos os caras no mundo, escolheu a mim.Não preciso dizer o quanto ela é bonita!

II.

No quinto encontro, ela me disse: -Será que podemos ir pra um lugar só eu e você? Demorou pra minha ficha cair, mas sem pensar muito, entramos no carro.Não faço ideia de onde levá-la. Espero que ela não perceba; porque nela só vejo confiança!

III.

Seu perfume me deixa atordoado.No seu decote uma renda rosa se insinua e engulo seco.Depois de hoje direi que a amo, antes que algo aconteça (ou que ela mude de ideia).

IV.

-Felipeeee!-ela grita. Um carro entra em cheio na minha porta. Sinto minhas costelas esmagadas. Que pena, Mariana! Nosso plano não deu certo. E agora, preciso partir.

V.

Seus olhos são como a Lua Cheia. Poderia ficar em looping, só para vê-la mais uma vez?Ela é Mariana, e de todos os caras no mundo, escolheu a mim.

Simbiose
Sci-Fi

I.

Há 70 anos, os humanos aprenderam o que nós, cachorros, sempre soubemos: nunca confie no mensageiro.

Inicialmente o governo abafou o contato, então a invasão começou silenciosa.

II.

A oferta era de paz, mas o plano: assimilação. Quando os aliens terminavam, ninguém podia dizer a diferença.

Ninguém além de nós.

III.

Então o soro K11 foi feito. Super cães que podiam farejar e eliminar “os outros”.

Ao meu lado, Eva rosnou. As ruas fediam, mas eles fediam mais.

-Estão vindo, Rancor.

IV.

Atacamos e minha prótese pesada era uma arma letal. Passei as rodas por cima dos cadáveres e lambi o sangue do rosto machucado da minha amiga.

A luz o refletia azul.

V.

Ela correspondeu o gesto e seus olhos mostraram o mesmo brilho forasteiro.

“O melhor amigo do homem, também seu salvador” haviam dito.

E como sempre, os humanos estavam errados.

Aliens
Sci-Fi

I.

Quando as primeiras naves apareceram nos céus todos entraram em pânico.

Nossas defesas estavam preparadas para reprimir qualquer tentativa de invasão.

Mas os aliens entraram em contato antes de avançarmos sobre eles.

II.

- Viemos em paz!

- Trouxemos presentes!  

Quando menos esperávamos, atacaram covardemente.

Por muito pouco não fomos exterminados.

III.

Nosso serviço de inteligência capturou alguns aliens vivos e descobrimos o seu planeta de origem.

Não deixaremos que invadam nosso planeta novamente, agora é nossa vez de visitar a casa deles, hoje a noite, atacaremos o Planeta Terra.

IV.

V.

Impostores
Sci-Fi

I.

Olhar para aquelas versões, os "impostores", era como mudar de canal de TV, e ver a mim mesmo atuando em diversos papeis, desempenhando diversas funções.

II.

O fato de ser e não ser a mesma pessoa me incomodava, e me questionava quem, além de mim, notaria a diferença.  Eu tinha o controle desses canais, disso eu tinha plena certeza.

III.

Restava-me saber como mexer no "roteiro" desses canais.

IV.

V.

Rato
Sci-Fi

I.

H era um bom humano. Trazia comida, era obediente e ficava no melhor lugar da cidade: em frente ao LABX. Aos transeuntes, falava:

- Só meu amigão fala comigo! Né, amigão? – e dá-lhe cafuné.

II.

Rancor era um cão normal quando chegou ao LABX. Foi só depois de anos sendo picado, cortado e remontado que aconteceu: ele começou a pensar.

Nesse tempo todo, Dr. Vix conduzindo a tortura. Rancor reconheceria seu fedor em qualquer lugar.

III.

Rancor fugiu e Dr. Vix percebeu que seus testes funcionaram e que uma arma letal em forma de cão estava à solta pela cidade. E Rancor começou sua vingança.

Como sempre, seguiu-o ao sair do prédio. Dr. Vix virou-se. Rancor ficou invisível e rosnou. Adorou o pânico no olhar do doutor. Um dia, ia mata-lo.

IV.

Mas antes, brincar.

- E aí amigão, pegou o rato?

- Quase, H. Vamos comer?

V.

O Sol
Sci-Fi

I.

"Mais uma vez o sol aparece para iluminar a terra. Sua luz atravessa
o espaço e nos guia em mais um dia, em mais uma rotina. Metrô completamente lotado, ônibus tombado, trânsito
em todas as avenidas.

II.

Esta mesma luz ilumina o caminho até o trabalho, e revela seu chefe estressado, pessoas com mau humor e mais trabalho.

Na hora do almoço? A luminância mostra o seu lanche rápido, seu fast food e sua dieta indo por água abaixo.

III.

De repente, mortes, estupros, roubos
em plena luz do dia. Ao entardecer, mais brutalidade, assassinatos, sequestros e omissão. A humanidade faz tudo nos holofotes do grande astro Sol.

IV.

Tenho pena do Sol e digo mais, se eu fosse ele, não voltaria nunca mais para iluminar a humanidade."

V.

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