Histórias curtas diárias

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Terror
Drama
Suspense
Romance
Ligaturas
Adolfo
Suspense

I.

Nem os olhos roxos conseguiam retirar o sorriso simpático, enquanto ela oferecia seus biscoitinhos para toda a delegacia.

O delegado chamou-a em sua sala.

- Dona Nina, conte novamente seu incidente, por favor.

II.

- Pois bem. Dos maridos que tive, Adolfo até foi um dos bons, mas se fosse contrariado, era em mim que descontava sua frustração.

- Sempre foi ou hoje foi a gota d'água?

- Ele era bem previsível, sabe? Mas aí...

III.

- Mas aí...?

Um brilho no olhar daquela senhora ligou o alerta na cabeça dele.

- Não admito palavrão em minha casa, senhor. Ele me chamou de puta! Enfiei minha melhor faca nas costas dele.

Dona Nina sorriu.

IV.

Ele recebeu uma mensagem no celular: "Achamos mais 'coisas' na casa da senhora."

- Aceita outro biscoitinho enquanto lhe conto minha sina de viúva?

V.

Alfredo
Suspense

I.

Calma, Dona Nina falava com o delegado, enquanto este devorava seu biscoitinho.

- Alfredo foi meu primeiro marido. Desatento ao extremo. Passei os primeiros anos me devotando a ele.

No celular do delegado, mensagens surgiam.

II.

"Ela tem um porão! Parece o asilo de 'Jogos Mortais'. Quem mais morava com eles?"

Doce, ela falava:

- Aí, você tem uma iluminação. Ele me trocava pelos amigos e o futebol. - Que espécie de homem faz isso? Um dia, passei as roupas dele e preparei o café.

III.

- Até pão quente com manteiga fiz. Mal-humorado, não disse nem bom dia ou muito obrigado. Comeu em silêncio, o traste! Sequer sentiu o gosto do veneno de rato.

Em silêncio, o delegado olhou o biscoitinho mordido.

IV.

- Não se preocupe. O senhor parece dar a atenção necessária a uma mulher.

Disse ela sorrindo.

V.

Alberto
Suspense

I.

"Estou aguardando a análise de um objeto suspeito.", dizia a mensagem.

- Dona Nina, pelo que eu percebi, não houve nenhum marido que não….

- Me aborreceu? Ela sorriu.

- Ah, bem, teve o Alberto. Tocava violão e cantava para mim.

II.

- Adorava Ritchie…"Menina veneno, você tem um jeito doce de ser…"

- Outro marido com A?!

- E tem algo errado nisso, senhor?

- Não, inclusive, meu nome é Adriano. 

- Mas o mundo é pequeno demais!

III.

- Aceite mais um biscoito, sim?
Ofereceu, deliciada.

- E o que houve com o Alberto?

- Oh! Meu querido Alberto faleceu.Era alguns anos mais velho do que eu. Câncer no pâncreas; não havia o que fazer! Quase fui à falência para salvá-lo. 

IV.

“Confirmamos que o abajur é feito de carne humana.”, estava na mensagem.

- Mas ainda bem que salvei uma parte dele que vela meu sono todas as noites...

V.

Aquino
Suspense

I.

O delegado, educado, falava:
- A escrivã foi fazer um café. Aceita?
 
-Por que não?
Dona Nina sorriu.

-Aquino, meu outro marido, bebia muito, para curar as ressacas. Eu perdoava o alcoolismo. Não satisfeito, ele me traiu com uma sirigaita qualquer.

II.

- Por causa dele, quase fiz algo que me arrependi. Com o encanador. Um rapaz bonito. E eu era mais jovem.

- Ele me beijava perto da pia. Me fazia sentir coisas, sensações. Quando eu lembrei que era casada, acertei a cabeça dele com a chave de grifo.

III.

- Aquino chegou bêbado e cheirando perfume barato. 'Estava cuidando de minhas coisas, megera!', ele disse.

- A culpa foi dele. Quase virei uma adúltera. Por isso, acertei-o com a mesma chave de grifo.

IV.

- Os dois adubam meu jardim até hoje.

No celular, surgiu a mensagem:
"Há dois esqueletos no jardim."

V.

Alcides
Suspense

I.

Os biscoitinhos tinham acabado. Dona Nina parecia uma avó contemplando seu neto. O delegado estava empanturrado. Tentou se justificar:

- Parei de fumar há pouco tempo, então, estou substituindo o cigarro pelo doce. Mas estavam realmente bons!

II.

- Entendo. Meu Alcides tentou muitas vezes largar esse vício também. Fez de tudo um pouco, e começou a engordar, mas não de uma forma boa. Ele comia um bolo inteiro se eu deixasse, sabe?

- E imagino que a senhora ficou escrava do fogão?

III.

- Fiquei, mas não por muito tempo. Piscou.

Sem mensagens. Bom sinal?

- Não precisei fazer muito. Ele morreu intoxicado com uma fornada de biscoitinhos, exatamente como essa.

IV.

- Usei meu ingrediente secreto... Pó de Maridos.

Gargalhou. 

O delegado só teve tempo de chegar ao corredor. Outros desavisados estavam no mesmo estado.

V.

Adriano
Suspense

I.

Alguns meses depois...

- Sabia que viria me visitar.
Disse dona Nina, na área de visitas da Prisão.

Adriano sentou-se ao lado dela:
- Tinha de vir. Tenho uma pergunta. A senhora poderia permanecer ilesa. Por que ir à delegacia? Por que se entregar?

II.

O sorriso no rosto, a senhora disse:
- Não. Eu não me entreguei. De que adiantaria fazer o que fiz, sem contar a ninguém. Não tenho filhos e o senhor me pareceu o mais próximo a um neto.

- Peraí! Não se arrependeu?

III.

- Todos os meus maridos foram homens terríveis. Ninguém vê isso. Quem era o monstro, afinal?

- Mesmo com o que acharam em sua casa, a senhora ainda conseguirá sair por causa de sua idade.

- O advogado foi muito bom. Lembrou meu finado Astrogildo.

IV.

- A senhora teve um marido advogado?

- Se tiver tempo, posso continuar contando minha sina de viúva.

V.

Não tem certeza de qual ler primeiro?

Vamos olhar todo o catálogo de mini contos da Bilbbo e trazer um que seja a sua cara!

Ler meu Mini!
Terror
O Espelho
Terror

I.

Quando Thomas chegou da escola, ao fim da tarde, o espelho já estava colocado. Era enorme, ocupando boa parte da parede. Sua moldura era antiga, feita de ferro, com estranhos traços em bronze que lembravam algum tipo de escrita asiática.

II.

- Mãe, o espelho ficou maneirão! Mãe!? - Gritou o garoto, virando-se e ficando de costas para seu reflexo.

Thomas então sentiu um leve toque em seu ombro. Uma mão, fria como uma pedra de gelo que pareceu derreter, molhando sua camisa. O garoto virou-se bruscamente, voltando a ficar de frente para o espelho.

III.

"Eu estou louco?" Perguntou-se quando viu que seu reflexo tinha desaparecido.

Então viu sua mãe. Vindo do quarto, parecendo procurar por quem tinha lhe chamado. Parando seu olhar fixo no espelho, em pé, de frente para o filho.

IV.

Nesse momento ele percebeu que não,  não estava louco. Estava, na verdade, do outro lado.

Dentro do espelho.

V.

A Espera
Terror

I.

- Que frio, não acha?

- Não.

- Só queria conversar. Essa parada é escura, estou com medo de ficar sozinha depois que seu ônibus chegar.

- Desculpe, estou de mau humor com a espera do ônibus.

II.

- Faz tempo que espera?

- Não lembro, o seu atrasou?

- Não sei... Você tem horas?

- Que horas é o seu ônibus?

- Não sei.

- Então ajuda saber as horas?

III.

- Tem razão. Qual você está esperando?

- Qualquer um.

- Qualquer um?

- Não sei onde ir. Para quem não sabe, qualquer um serve.

- Também não sei qual pegar.

- Já nos vimos?

IV.

- Talvez, por isso não tive medo de puxar assunto. Aqui me dá calafrios.

- Também não gosto.

- Sabe, não sou medrosa, mas ouvi dizer que quando alguém morre fica em um looping, revivendo a mesma cena, até estar pronto para seguir. Só de pensar em fantasmas fico congelada.

V.

- ...

- Que frio, não acha?

Lambuza
Terror

I.

A boneca veio embrulhada em um lindo laço cor de rosa. Vivi mal podia acreditar: parecia um bebê de verdade, com olhos azuis famintos e bochechas manchadas de comida, acompanhada de um pratinho e colher plástico.

Júlia, como dizia o nome na caixa, foi o melhor presente de aniversário de todos e Vivi dormiu abraçada com ela naquela noite.

II.

Durante a madrugada, no entanto, a menina acordou com um barulho. O travesseiro ao seu lado estava vazio e a porta do quarto aberta. Havia uma pequena sombra embaixo de sua cama.

-Mãe? Pai? - perguntou baixinho.

Não houve uma resposta. Apenas uma risadinha atrás de si.

III.

Movida pelo susto, Vivi tomou impulso e se levantou, dando de cara com um corredor mal iluminado. Algo parecia lhe espreitar das trevas, pronto para agarrar seu tornozelo.

Ela soltou um grito e começou a correr, sentindo um vento frio na nuca no exato momento em que alcançou a segurança do quarto dos pais e trancou a porta.

IV.

Respirou aliviada.

Quando se virou, no entanto, se deparou com os corpos dos pais estraçalhados na cama.

Partes haviam sido arrancadas e mordidas e, sentada no meio deles, estava Júlia. Com o rosto lambuzado de sangue.

V.

Fanpava
Terror

I.

Segurando a boneca pelo braço a criança pergunta:

- Papai.. papai!
- Po que ela não pala de choiá?

-Já deu papinha para ela?
Indaga o pai.

II.

Fitando o canto escuro do cômodo ela responde:

- Não papai, fanpava não come papinha! Come alma...

III.

IV.

V.

O Predador
Terror

I.

Marcos era professor em uma escola pública. Com seus olhos verdes e um charme fatal, fez com que discursos imorais fossem encarados como brincadeira. Entre risos, na sala dos professores, falou sobre o corpo de uma aluna e como era difícil frear seus “instintos masculinos” perto dela.

II.

Agia como se fosse um predador. As fofocas que corriam sobre a castidade de Ana, a professora de Ensino Religioso, atiçaram-no.

Após muita insistência, conseguiu convencê-la a sair em um encontro.

III.

Aparentemente bêbada, ela o levou para seu apartamento. Arrastou Marcos para o quarto, puxou algemas de dentro de uma gaveta e, com um sorriso lascivo, o prendeu na cama.

— Não sabia que você era assim — Marcos disse num sussurro.

IV.

— Todos temos nossos demônios.

Se Marcos não estivesse pensando em como contaria sobre aquela noite para os colegas, teria percebido o círculo no chão e velas formando uma figura.

V.

Ana saiu do quarto e trancou a porta. Houve apenas um grito abafado e o som de sangue jorrando. O demônio de que falara era real e precisava se alimentar".

Cantiga
Terror

I.

Larry, Larry, Larry o espantalho

Todos dizem que passava
o dia inteiro pendurado
por um cabo de vassoura,
no campo do Seu Fábio.

Destruído pelo tempo,
já não tinha mais um lado.
E redondo em sua barriga,
já se via um buraco.

II.

Ainda nessa história,
Havia Billy Delgado
O filho do fazendeiro
e que era muito mal criado.

Todo dia, depois da escola,
o rapaz voltava irritado
e, sempre, depois da colheita,

ele amassava Larry com o arado.

III.

No Halloween, no entanto,
depois de uma festa do condado,
Billy resolveu voltar sozinho
e entrou no campo para um atalho.

Larry, vendo a oportunidade,
desceu de seu lugar com cuidado.
E pela manhã, Billy havia sumido
e Larry tinha um novo braço.

IV.

V.

Drama
O Vento
Drama

I.

Eu ouvia o vento e ele me ouvia.

Disso eu tinha certeza. O velho diz que

a magia só vem quando conhecemos nossa própria verdade, então eu colocaria a minha à prova.

II.

Olhei para baixo e vi as pedras afiadas por anos de dedicação das águas

do Mar da Noite. Dei um passo em direção à beira do penhasco e sussurrei para o vento:

Ouça-me agora! E pulei.

III.

De repente, o velho estava ao meu lado, as mãos enrugadas segurando as minhas no ar.

“Você ouve o vento aprendiz, é por isso que eu sempre sopro de volta quando você pede.”.

“Você?” Eu perguntei.

IV.

“Não deveria estar tão surpresa. Quantos anos achou que teria o próprio vento?”

V.

Cordão
Drama

I.

O que foi filha?
Porquê está chorando?

Nada não mãe, é apenas minha TPM. Dessa vez esta bem complicada.

Termino a conversa e subo para meu quarto.
Não consigo parar de pensar.

II.

Era essa semana que iria dar a luz. Hoje completariam os 9 meses. Ele se chamaria Pedro.
Ironia não?! Ser o mesmo nome do açougueiro que tirou ele de mim.

III.

IV.

V.

O Empata
Drama

I.

Sentada, ao meu lado, na sala de aula, está a menina mais linda do mundo. Seu nome é Roberta. É minha vizinha de frente, mas não sei se ela sabe. E hoje ela está mais triste do que de costume. Pelo seus olhos vermelhos, com o esquerdo levemente inchado, sei que as coisas não andam muito bem.

II.

Quando seus pais brigam, sempre sobra pra ela. Gostaria muito de tirá-la desse mundo de dor...

Eu sigo o caminho que ela faz, cortando por um beco. Chuto uma pedra que bate numa lata. Roberta olha pra trás, mas ao me ver, relaxa. Sorrindo, vou ao seu encontro. Quero mostrar que eu entendo sua tristeza.

III.

Seguro com minhas duas mãos seu pescoço e aperto. Roberta se assusta, depois se entrega. Vejo nos seus olhos que ela segue em paz. Suas lágrimas são de agradecimento.

IV.

Existem muitas formas de ter empatia pelos outros, e muitas formas de demonstrá-las. Cada um faz sua parte, não é mesmo?

V.

Histórias
Drama

I.

Quando mais novo, escutei por muitas vezes histórias de uma espécie de morto-vivo que ficava vagando por ai, impossibilitado de descansar pois havia sido banido do céu e do inferno, condenado a permanecer no mundo dos vivos.

II.

Isso sempre me pareceu uma das muitas histórias que me contavam para garantir que eu fosse uma criança bem comportada.

III.

Até o dia em que me deparei com um corpo, extramente seco, no final de seu processo de decomposição, vagando de um lado para o outro na rua de casa.

IV.

V.

Equilíbrio
Drama

I.

Equilibrar pedras é minha atividade preferida.

Encaixar suas imperfeições, procurar seu eixo central por horas a fio, empilhar, uma a uma, as rochas assimétricas, formando totens de exímia beleza.

II.

Enquanto busco o ponto correto de uma pedra ovalada sobre uma quadrada, ouço passos.

Alguém se aproxima.

“Está na hora de conseguir mais pedras para equilibrar!”

III.

Sugerem, sibilantes, as serpentes em minha cabeça.

IV.

V.

Aos Domingos
Drama

I.

Meu pai manda eu virar "homem de verdade" e diz que os adolescentes de hoje são "frescos demais" toda vez que falo sobre veganismo em casa.

Entendo a dificuldade em ver a carne como produto da exploração, já que somos acostumados a vê-la como o prato principal de quase todas as refeições.

II.

Mas desde o dia em que vi aquele documentário, não consigo mais engolir essa história. Milhares de seres humanos são presos em pequenas celas, forçados a comer uma mistura para encorpar. As mulheres são estupradas a fim de engravidar e produzir leite.

III.

Se nascer uma menina, encontrará o mesmo destino que a mãe; se for menino, provavelmente será transformado em vitela.

A mídia e médicos dizem que eles não podem mais ser classificados como seres humanos, que nós os salvamos da fome e da miséria e que é extremamente necessário para a nossa saúde continuar consumindo carne e leite.

IV.

Séculos atrás extinguimos todos os animais irracionais da Terra. Será questão de tempo até nos extinguirmos também.

V.

Suspense
Sorte
Suspense

I.

Cibele acreditava que se ouvisse o Universo, ele lhe retribuiria de alguma forma, mas também relacionava sua sorte ao seu par de tênis verdes.

Se a semana começasse atravancada, era vestí-los e tudo fluiria bem até sexta-feira.

II.

Naquela sexta-feira não foi diferente: seu chefe elogiara seu serviço, teve seu almoço pago por um colega, sua nota na prova final fora a máxima e ainda pode se presentear com um novo corte de cabelo, pago com o dinheiro que achou na rua.

III.

Agradeceu ao Universo pela enxurrada de boa sorte.

Não percebeu que sua carona seguia para um caminho diferente, e nem que aquele não era o carro, nem o motorista do aplicativo.

IV.

Cibele foi achada treze semanas depois, vestindo apenas seus tênis verdes. 

O assassino quis mantê-los, pois acreditou que era um sinal de sorte pela sua sétima vítima.

V.

Isolamento
Suspense

I.

Ruas vazias. Comércio local fechado. Silêncio.

Mesmo sendo mais recluso, não estava preparado para aquele isolamento.

Recorria ao celular, mas as notícias e opiniões divergiam, e não havia nenhuma mensagem significante.

II.

Não era “frescura”: de livros e séries, ele estava muito bem, os exercícios latejavam seus músculos e a casa estava tão limpa que virou compulsão.

Aqueles dias já estavam afetando seu psicológico cada vez mais.

III.

Cadê os vizinhos? As crianças?
Cadê todo mundo? A ansiedade bateu.
Estaria ficando…?

TOC-TOC.

Rapidamente, abriu a porta.

IV.

- Oi, Ivã. Desculpe vir assim sem avisar, mas... sabe como é? Esse isolamento está me deixando meio maluca...

- Que bom que veio! Entre, Bianca! Quer fazer alguma coisa?

-Conversar!....E um café, também.

V.

Enforcado
Suspense

I.

Fico parado observando o homem andar reclinado até o patíbulo, quase curvado até o chão, como se o peso de seus pecados o empurrasse para baixo.

A multidão grita, vaiando o condenado, enquanto o juiz lê seus crimes. Invasão. Roubo. Assassinato.

II.

Me mexo com desconforto e encaro o culpado de frente, relembrando da última vez que havia visto minha esposa, antes de a terem encontrado em meio uma poça de sangue. O homem me encara de volta e um pouco de luta parece voltar aos seus olhos.

Tarde demais.

III.

O chão se abre e a platéia reage com alegria enquanto suas pernas balançam no ar. Eu desvio o olhare espero o espetáculo terminar. Alguém aperta meu ombro e afirma que devo estar aliviado.

E eu realmente estou.

IV.

Agora sem a única testemunha, poderei herdar o dinheiro sem problema. E nunca mais vou ter que aturar aquela mulher novamente.

V.

Conversa
Suspense

I.

- Ei, Lucas! Como foi a conversa com a Fernanda ontem?

- Foi ótima, Jorge. Finalmente decidimos, de forma consciente, que não queremos ter filhos.

- Mas...
- Jorge tentou falar, mas a resposta da pergunta não feita, veio de graça.

II.

- Essa noite daremos um jeito nas crianças.

III.

IV.

V.

Cotidiano
Suspense

I.

O trânsito estava intenso às 17h no centro do Rio, mas Eduardo não ligava. Era a terceira viagem que fazia sem descer do coletivo.

Com a testa colada contra a janela, acompanhava o cortejo luminoso das lanternas traseiras dos veículos, e suspirava.

II.

De repente…

- Perdeu otário! Passa tudo! - sussurrou um sujeito esquisito que tinha acabado de sentar a seu lado.

- Cara, acho que não vai dar. Noite ruim. - ele respondeu, sem mover um músculo.

III.

- Tá tirando onda, playboy? Passa o celular! - Rosnava o ladrão, com uma faca contra suas costelas.

Lentamente, Eduardo se ajeitou no banco e olhou para o meliante.

IV.

- Lamento. Um outro passou antes de você, e já não tenho mais nada que possa me tirar, a não ser a bala que ele deixou na minha testa. Serve?

V.

Inigualável
Suspense

I.

A primeira vez que lhe vi foi em um café perto do meu prédio. Cruzamos olhares, você sorriu, pediu licença, e então eu soube que nunca mais poderia te deixar ir.

Depois disso, te achei nas redes sociais e nos encontramos ainda quatro vezes pela cidade. Eu me vi aprendendo cada charme e hábito seu, rindo de seu humor rápido e inteligente.

II.

Saiba, eu acho que você é a pessoa mais incrível do mundo. Forte e complemente única.

Fiquei muito feliz quando em nosso quinto encontro, reuni coragem e te acompanhei da parada de ônibus até sua casa.

III.

Hoje, depois de um mês, percebi que você esqueceu as chaves no portão de entrada. Mas não se preocupe, eu já as peguei.

IV.

Agora mal posso esperar para finalmente nos conhecermos em pessoa.

V.

Romance
A Promessa
Romance

I.

Não foi um dia muito fácil, a dor da perda o perseguia em cada passo que dava.

Lá no fundo sentia que poderia ter feito algo diferente, sei lá, se tivesse segurado com mais força, talvez não a tivesse perdido.

II.

Agora era tarde. O maior clichê da vida é a morte, quando ela chega vemos o que deveria ter sido dito e não foi.

Mas ele não iria embora dali, não sem ela, afinal, fizeram uma promessa de ficarem juntos. Esperaria o quanto fosse preciso na mesma poltrona em que morreu, até ela poder deixar a casa com ele e partirem juntos.

III.

IV.

V.

Carnaval
Romance

I.

Juraram amor eterno ao se verem, entre um trio e outro.

Não perderam tempo trocando desnecessários nomes.

Paixão avassaladora.

II.

Durou quatro dias, cinco abadás, sete trios elétricos, oito motéis, nove becos, dezenas  de fantasias, inumeráveis e indecifráveis bebidas e nenhum preservativo.

Depois da quarta, cinzas e quaresma.

III.

IV.

V.

Boêmio
Romance

I.

A noite cai na grande cidade. Pessoas caminham apressadas para chegarem as suas casas, mas o boêmio não

Ele é amigo da lua, amante da madrugada. Ele versa com aquilo que ninguém percebe, as estrelas.

II.

O boêmio acorda tarde e se prepara para à noite. Ele é um ser intocável sentimentalmente.

Mas o boêmio não contava em se apaixonar.

Amanda é uma menina alegre, 25 anos e com um tesão pela vida que encanta a todos.

III.

O boêmio, numa bela noite de lua cheia no alto do céu, viu o brilho da Amanda e a confundiu com aquilo que o inspirava.

Não era nenhuma estrela, era a menina de seus olhos encantados. O boêmio tentou fugir, dizer não quando queira dizer sim.

IV.

E como um raio, Amanda passou e o boêmio com as pernas bambas ficou e reação não teve. A menina se foi. E hoje o boêmio chora, tendo sua amiga lua por testemunha, guardando na memória a noite em que um anjo tocou seu coração.

V.

Agora ele rabisca nos guardanapos dos bares versos de tristeza, aguardando o dia em sua musa aparecerá novamente.

Sonhadora
Romance

I.

Emilly cresceu ouvindo contos de fadas, ainda morava com os pais, fazia só tarefas domésticas, se preparando para um príncipe.

Ensaiava seu casamento e usava sempre longos vestidos.

II.

Um dia finalmente conheceu Vitor, que também procurava um relacionamento sério, pelo menos um sério, porque queria continuar com outros mais divertidos.

Daí ela finalmente percebeu que ninguém viria salvá-la!

III.

Ela precisava sair do “castelo”, matar seus próprios monstros, parar de depender de beijos e príncipes encantados, tirar aqueles vestidos “bregas” e mostrar que ela era dona de todo poder que buscava nos outros.

IV.

Hoje mora em um trailer turístico e ganha dinheiro levando pessoas a conhecerem lugares que inspiraram castelos de princesas. Conheceu Paulo e vivem cada dia como se fosse o último.

V.

Ping-Pong
Romance

I.

“Pera-uva-maçã?” Ele respondeu que salada de fruta.

Nunca ganhara um beijo, e queria que fosse do sabor da goma de mascar que ela usava.

Cada bola que ela fazia e estourava, sentia aquele cheiro delicioso de tutti-frutti.

II.

Ela olhou em seus olhos, estourou mais uma bola e perguntou se tinha que ser na boca.

“Oras, lógico, a brincadeira não é essa?” Não disse, mas pensou. Fez apenas que “sim” com a cabeça, olhando para os lados para ver se tinha algum adulto por perto.

III.

Porque gente grande não entende nada da pressa que as crianças têm para serem felizes o tempo todo. Para eles, tudo tem o seu tempo.

Mas o beijo que ele queria era para agora, não para quando fosse adulto com 15 anos.

IV.

Instintivamente, fechou os olhos. Foi quando um lábio doce e molhado encostou ao seu. E mil foguetes explodiram no céu, na mesma rapidez que seu coração quase parou... e ela se afastou, deixando em sua boca o chiclete Ping Pong mais gostoso da sua vida!

V.

Apolo
Romance

I.

Onde vc está?
Sé. Longe... Vc?
Ainda esperando o busão
Meodeos...
Que foi?
Tem um deus grego aqui
No seu vagão?

II.

Na minha frente
Com sua sorte, só pode ser Hefesto
Não! É Apolo
Certeza? Vc nunca foi boa em mitologia grega
Apolo em toda sua glória
Manda foto
Como?

III.

Finge que tá mexendo em alguma coisa e tira, ué. Discretamente
Tá.

30 minutos depois.

Alice? Ta aí? Td bem?
Vc me paga!
?

IV.

Disparou o flash, paguei o maior mico da minha vida
HSHUASHHAUHSUA
Vc ri? Fiquei com tanta vergonha que saí do metrô, entrei no que estava do outro lado da plataforma e me perdi. Agora estou num ônibus que passa perto de cas.. meodeos!
O que?

V.

Ta vindo pra cá

Apolo acabou de entrar no ônibus
Não!!!!

30 minutos depois.

Alice? Kd vc? O que tá acontecendo?
Conto depois. Não da pra tirar foto agora S2 S2

Ficção Científica
Tempo
Sci-Fi

I.

“O tempo é uma ferramenta que foi criada para controlar as nossas vidas”.

Não me lembro quem me disse isso quando eu era garoto, mas essa visão do tempo me perturbou e me instigou por toda a vida.

II.

Quanto tempo temos?
Porque temos que nos curvar a ele?
E se pudéssemos caminhar por ele?
O que daríamos em troca?

Não me lembro em que momento os primeiros começaram a manipular seu próprio tempo, passado e futuro, pagando a ele com suas próprias vidas.

III.

Eu apenas entendi a teoria das cordas, e aprendi a vibrar em outras frequências, e assim, viver entre momentos.

Eu venci o tempo.
Enganei o tempo.
Paguei ele com vidas de outros.

IV.

Ele deixou de se importar comigo.

Estou assim há eras, tudo já se extinguiu no universo, só restou a escuridão e o silêncio. Não estou vivo e nem morto, apenas sou.

V.

Me tornei prisioneiro do que sempre fugi, no final ele me enganou, e me aprisionou nesse momento infinito.

Devia tê-lo tratado com o devido respeito.

Rato
Sci-Fi

I.

H era um bom humano. Trazia comida, era obediente e ficava no melhor lugar da cidade: em frente ao LABX. Aos transeuntes, falava:

- Só meu amigão fala comigo! Né, amigão? – e dá-lhe cafuné.

II.

Rancor era um cão normal quando chegou ao LABX. Foi só depois de anos sendo picado, cortado e remontado que aconteceu: ele começou a pensar.

Nesse tempo todo, Dr. Vix conduzindo a tortura. Rancor reconheceria seu fedor em qualquer lugar.

III.

Rancor fugiu e Dr. Vix percebeu que seus testes funcionaram e que uma arma letal em forma de cão estava à solta pela cidade. E Rancor começou sua vingança.

Como sempre, seguiu-o ao sair do prédio. Dr. Vix virou-se. Rancor ficou invisível e rosnou. Adorou o pânico no olhar do doutor. Um dia, ia mata-lo.

IV.

Mas antes, brincar.

- E aí amigão, pegou o rato?

- Quase, H. Vamos comer?

V.

Droid
Sci-Fi

I.

Sempre fui a unidade LFU3 desta tripulação, simples e com apenas 5 formas de vida compondo-a. Meu trabalho resume-se em, sempre que pousamos em um novo planeta, encontrar formas de vida.

II.

Esta era a minha programação primaria. Uma pena que o engenheiro tenha retirado a atualização de alerta a vidas hostis.

III.

IV.

V.

A Troca
Sci-Fi

I.

Não me lembro muito bem como isso tudo começou, mas sinto que tem algo a ver com a chuva. Sempre que me pego nesta situação, por mais desagradável que ela seja, está chovendo.
Sinto os pingos caírem suavemente pelo meu rosto e tombo a cabeça para trás, recobrando meus sentidos um a um.

II.

Primeiro o tato, depois sinto o sabor da chuva, misturado a um outro, um pouco ferroso em minha boca. Depois escuto a chuva caindo, e batendo em um corpo que não é o meu. Por fim, abro meus olhos, esperando encontrar uma grande nuvem cinza. No momento que abro os olhos, desejo fecha-los, e apago no lugar onde estou.

III.

Não me lembro muito bem como isso tudo começou, mas sinto que tem algo a ver com a chuva. Sempre que me pego nesta situação, por mais desagradável que ela seja, está chovendo.

IV.

V.

O Sol
Sci-Fi

I.

"Mais uma vez o sol aparece para iluminar a terra. Sua luz atravessa
o espaço e nos guia em mais um dia, em mais uma rotina. Metrô completamente lotado, ônibus tombado, trânsito
em todas as avenidas.

II.

Esta mesma luz ilumina o caminho até o trabalho, e revela seu chefe estressado, pessoas com mau humor e mais trabalho.

Na hora do almoço? A luminância mostra o seu lanche rápido, seu fast food e sua dieta indo por água abaixo.

III.

De repente, mortes, estupros, roubos
em plena luz do dia. Ao entardecer, mais brutalidade, assassinatos, sequestros e omissão. A humanidade faz tudo nos holofotes do grande astro Sol.

IV.

Tenho pena do Sol e digo mais, se eu fosse ele, não voltaria nunca mais para iluminar a humanidade."

V.

Hipersônica
Sci-Fi

I.

Rancor estava nervoso. Ele corria pela movimentada avenida enquanto o sol refletia em seu pelo alaranjado.  

O foco estava todo na busca de seu amor.

II.

Seus rosnados não haviam sido efetivos como ele esperava, e agora, enquanto sua desengonçada língua rosa tremulava fora de sua boca, ele se perguntava por que raios sua intimidação nunca obtinha um resultado que não os irritantes e tediosos sorrisos fofos.

III.

Seja lá o que fosse, não importava agora, ele estava a centímetros dela.  

Logo sua deslumbrante bolinha de borracha hipersônica estaria em sua mandíbula.

IV.

V.

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