Originais Bilbbo

Decubra o inimaginável com as publicações oficias Bilbbo.

Ligatura

Os Mini Contos em série da Bilbbo
Suspense
Adolfo
mini conto
I.

Nem os olhos roxos conseguiam retirar o sorriso simpático, enquanto ela oferecia seus biscoitinhos para toda a delegacia.

O delegado chamou-a em sua sala.

- Dona Nina, conte novamente seu incidente, por favor.

II.

- Pois bem. Dos maridos que tive, Adolfo até foi um dos bons, mas se fosse contrariado, era em mim que descontava sua frustração.

- Sempre foi ou hoje foi a gota d'água?

- Ele era bem previsível, sabe? Mas aí...

III.

- Mas aí...?

Um brilho no olhar daquela senhora ligou o alerta na cabeça dele.

- Não admito palavrão em minha casa, senhor. Ele me chamou de puta! Enfiei minha melhor faca nas costas dele.

Dona Nina sorriu.

IV.

Ele recebeu uma mensagem no celular: "Achamos mais 'coisas' na casa da senhora."

- Aceita outro biscoitinho enquanto lhe conto minha sina de viúva?

V.
Suspense
Alfredo
mini conto
I.

Calma, Dona Nina falava com o delegado, enquanto este devorava seu biscoitinho.

- Alfredo foi meu primeiro marido. Desatento ao extremo. Passei os primeiros anos me devotando a ele.

No celular do delegado, mensagens surgiam.

II.

"Ela tem um porão! Parece o asilo de 'Jogos Mortais'. Quem mais morava com eles?"

Doce, ela falava:

- Aí, você tem uma iluminação. Ele me trocava pelos amigos e o futebol. - Que espécie de homem faz isso? Um dia, passei as roupas dele e preparei o café.

III.

- Até pão quente com manteiga fiz. Mal-humorado, não disse nem bom dia ou muito obrigado. Comeu em silêncio, o traste! Sequer sentiu o gosto do veneno de rato.

Em silêncio, o delegado olhou o biscoitinho mordido.

IV.

- Não se preocupe. O senhor parece dar a atenção necessária a uma mulher.

Disse ela sorrindo.

V.
Suspense
Alberto
mini conto
I.

"Estou aguardando a análise de um objeto suspeito.", dizia a mensagem.

- Dona Nina, pelo que eu percebi, não houve nenhum marido que não….

- Me aborreceu? Ela sorriu.

- Ah, bem, teve o Alberto. Tocava violão e cantava para mim.

II.

- Adorava Ritchie…"Menina veneno, você tem um jeito doce de ser…"

- Outro marido com A?!

- E tem algo errado nisso, senhor?

- Não, inclusive, meu nome é Adriano. 

- Mas o mundo é pequeno demais!

III.

- Aceite mais um biscoito, sim?
Ofereceu, deliciada.

- E o que houve com o Alberto?

- Oh! Meu querido Alberto faleceu.Era alguns anos mais velho do que eu. Câncer no pâncreas; não havia o que fazer! Quase fui à falência para salvá-lo. 

IV.

“Confirmamos que o abajur é feito de carne humana.”, estava na mensagem.

- Mas ainda bem que salvei uma parte dele que vela meu sono todas as noites...

V.
Suspense
Aquino
mini conto
I.

O delegado, educado, falava:
- A escrivã foi fazer um café. Aceita?
 
-Por que não?
Dona Nina sorriu.

-Aquino, meu outro marido, bebia muito, para curar as ressacas. Eu perdoava o alcoolismo. Não satisfeito, ele me traiu com uma sirigaita qualquer.

II.

- Por causa dele, quase fiz algo que me arrependi. Com o encanador. Um rapaz bonito. E eu era mais jovem.

- Ele me beijava perto da pia. Me fazia sentir coisas, sensações. Quando eu lembrei que era casada, acertei a cabeça dele com a chave de grifo.

III.

- Aquino chegou bêbado e cheirando perfume barato. 'Estava cuidando de minhas coisas, megera!', ele disse.

- A culpa foi dele. Quase virei uma adúltera. Por isso, acertei-o com a mesma chave de grifo.

IV.

- Os dois adubam meu jardim até hoje.

No celular, surgiu a mensagem:
"Há dois esqueletos no jardim."

V.
Suspense
Alcides
mini conto
I.

Os biscoitinhos tinham acabado. Dona Nina parecia uma avó contemplando seu neto. O delegado estava empanturrado. Tentou se justificar:

- Parei de fumar há pouco tempo, então, estou substituindo o cigarro pelo doce. Mas estavam realmente bons!

II.

- Entendo. Meu Alcides tentou muitas vezes largar esse vício também. Fez de tudo um pouco, e começou a engordar, mas não de uma forma boa. Ele comia um bolo inteiro se eu deixasse, sabe?

- E imagino que a senhora ficou escrava do fogão?

III.

- Fiquei, mas não por muito tempo. Piscou.

Sem mensagens. Bom sinal?

- Não precisei fazer muito. Ele morreu intoxicado com uma fornada de biscoitinhos, exatamente como essa.

IV.

- Usei meu ingrediente secreto... Pó de Maridos.

Gargalhou. 

O delegado só teve tempo de chegar ao corredor. Outros desavisados estavam no mesmo estado.

V.
Suspense
Adriano
mini conto
I.

Alguns meses depois...

- Sabia que viria me visitar.
Disse dona Nina, na área de visitas da Prisão.

Adriano sentou-se ao lado dela:
- Tinha de vir. Tenho uma pergunta. A senhora poderia permanecer ilesa. Por que ir à delegacia? Por que se entregar?

II.

O sorriso no rosto, a senhora disse:
- Não. Eu não me entreguei. De que adiantaria fazer o que fiz, sem contar a ninguém. Não tenho filhos e o senhor me pareceu o mais próximo a um neto.

- Peraí! Não se arrependeu?

III.

- Todos os meus maridos foram homens terríveis. Ninguém vê isso. Quem era o monstro, afinal?

- Mesmo com o que acharam em sua casa, a senhora ainda conseguirá sair por causa de sua idade.

- O advogado foi muito bom. Lembrou meu finado Astrogildo.

IV.

- A senhora teve um marido advogado?

- Se tiver tempo, posso continuar contando minha sina de viúva.

V.

Terror

De pequenos não possuem nada.
Terror
O Predador
mini conto
I.

Marcos era professor em uma escola pública. Com seus olhos verdes e um charme fatal, fez com que discursos imorais fossem encarados como brincadeira. Entre risos, na sala dos professores, falou sobre o corpo de uma aluna e como era difícil frear seus “instintos masculinos” perto dela.

II.

Agia como se fosse um predador. As fofocas que corriam sobre a castidade de Ana, a professora de Ensino Religioso, atiçaram-no.

Após muita insistência, conseguiu convencê-la a sair em um encontro.

III.

Aparentemente bêbada, ela o levou para seu apartamento. Arrastou Marcos para o quarto, puxou algemas de dentro de uma gaveta e, com um sorriso lascivo, o prendeu na cama.

— Não sabia que você era assim — Marcos disse num sussurro.

IV.

— Todos temos nossos demônios.

Se Marcos não estivesse pensando em como contaria sobre aquela noite para os colegas, teria percebido o círculo no chão e velas formando uma figura.

V.

Ana saiu do quarto e trancou a porta. Houve apenas um grito abafado e o som de sangue jorrando. O demônio de que falara era real e precisava se alimentar".

Terror
Aos Últimos
mini conto
I.

Aos que restarem.

***

Ela faz esse trabalho há muito tempo, mas só é requisitada em ocasiões especiais. Ela não sente nenhum prazer em seu trabalho, e em coisa alguma. Apenas o faz.

II.

Para os trabalhos cotidianos, existem subalternos. Esses sim sentem prazer, e a invejam.

Mas essa é uma ocasião especial. Mais uma vez ela veste seu manto, tecido especialmente para ela por seres mais antigos que o tempo.

III.

Coloca sua majestosa coroa de fumaça negra, forjada com falsas almas de profetas e religiosos. Sua coroa chora e se lamenta eternamente.

Lentamente pega sua foice. Sentindo o cabo feito de tripas e ossos secos, se lembra das vezes que a usou. Confia absolutamente na lâmina.

IV.

Ela é a melhor naquilo que faz.

Ela está chegando.

V.
Terror
Fanpava
mini conto
I.

Segurando a boneca pelo braço a criança pergunta:

- Papai.. papai!
- Po que ela não pala de choiá?

-Já deu papinha para ela?
Indaga o pai.

II.

Fitando o canto escuro do cômodo ela responde:

- Não papai, fanpava não come papinha! Come alma...

III.
IV.
V.
Terror
Posto
mini conto
I.

Madrugada.

O carro do casal seguia pela pista chuvosa, até um som estranho interromper a viagem.

O carro quebrara. Celulares sem bateria, para ajudar. No caminho, apenas um posto de gasolina.

II.

Pararam no lugar que descobriram fechado. Ao longe, viram um vigia encapotado.

Por mais que tentassem, não conseguiam se aproximar do homem ou aparição.

Amedrontados e cansados, trancaram-se no carro.

III.

De repente, batidas na janela.
O encapuzado, com uma lanterna em mãos, perguntava se poderia ajudar.

Abriu o capô do carro, consertou o defeito. Abasteceu o carro deles de graça e aconselhou-os a tomar mais cuidado nas viagens em estradas chuvosas.

IV.

O casal, mais tranquilo, seguiu viagem, agradecidos àquela boa alma.

Tempos depois, descobriram que nunca houve um vigia noturno naquele posto.

V.
Terror
Ao Dormir
mini conto
I.

Quando eu me mudei para meu novo apartamento, na mesma noite, acordei com algo se arrastando pelo corredor.

Na porta do quarto, surgiu um ser grande e curvo, mais escuro que

o próprio escuro. Do seu rosto, só vi

seus olhos vermelhos.

II.

Isso durou algum tempo, até o dia

que chamei-o para dormir comigo.

Loucura, né? Eu sei.

Foi incrível ver aquela forma assustadora virar um homem triste e cansado. 

III.

Dormíamos de conchinha até o dia em que desapareceu, e foi exatamente no dia em que arranjei um emprego, e assinei meu divórcio.

Aquele ser era o meu demônio interno. Aquele homem triste era eu.

IV.

Conclusão, meu caro amigo:

Os problemas podem ficar desproporcionais, assustadores, e deixá-lo insone, mas não são eternos. Leve-os pra cama se quiser. Enfrente-os!

Se eles são você em algum momento, logo serão apenas uma fase que ficou para trás.

V.
Terror
A Espera
mini conto
I.

- Que frio, não acha?

- Não.

- Só queria conversar. Essa parada é escura, estou com medo de ficar sozinha depois que seu ônibus chegar.

- Desculpe, estou de mau humor com a espera do ônibus.

II.

- Faz tempo que espera?

- Não lembro, o seu atrasou?

- Não sei... Você tem horas?

- Que horas é o seu ônibus?

- Não sei.

- Então ajuda saber as horas?

III.

- Tem razão. Qual você está esperando?

- Qualquer um.

- Qualquer um?

- Não sei onde ir. Para quem não sabe, qualquer um serve.

- Também não sei qual pegar.

- Já nos vimos?

IV.

- Talvez, por isso não tive medo de puxar assunto. Aqui me dá calafrios.

- Também não gosto.

- Sabe, não sou medrosa, mas ouvi dizer que quando alguém morre fica em um looping, revivendo a mesma cena, até estar pronto para seguir. Só de pensar em fantasmas fico congelada.

V.

- ...

- Que frio, não acha?

Drama

De pequenos não possuem nada.
Drama
Bom dia
mini conto
I.

A minha rotina era sempre a mesma, todos os dias por volta das 06:00 acordava com a minha esposa sussurrando no meu ouvido. Lembro-me bem daquela doce voz dizendo:

- Bom dia, meu amor.

II.

Isso de fato alegrava o meu dia.

Mas um dia em especial eu jamais irei esquecer, era um domingo chuvoso, acordei com a sua mão passando em minhas costas e senti seu rosto chegando próximo ao meu ouvido, logo ouvi aquela voz tentando me acordar, mas comoeu havia trabalhado até tarde na noite passada, apenas me virei e voltei a dormir.

III.

Quando acordei, já não havia ninguém na minha cama, então me levantei e peguei o celular para checar as horas, era 12:15 em um 4 de Novembro.

Nesse instante, a única coisa que pude lembrar, é que naquele dia fazia exatos 2 anos da sua morte

IV.
V.
Drama
O Autor
mini conto
I.

Esta escrita e essas linhas, não são minhas! Teria eu tão mau gosto a ponto de copiar o enredo de um outro rosto? Seria assim tão descarado a ponto de usar um roteiro que já fora apresentado?

II.

Não! Não são mesmo minhas estas palavras confusas e ato criativo redundante, não sou assim tão categórico e simplório, para escrever algo tão sem alma e sem coração. No entanto há que se admitir que vendeu um milhão de cópias e talvez venda muito mais, mesmo sendo assim uma história tão fugaz e previsível.

III.

Seria o paladar do leitor tão pouco aprazível a ponto de fazer render este ensaio de livro!? No entanto há que se admitir que os jornais anunciam ser o próximo best seller.

IV.

Não gosto disso! Não é meu livro, mas por via das dúvidas deixarei em meu pseudônimo.

V.
Drama
Dor
mini conto
I.

Prometera, ontem, uma massagem. Hoje esqueceu, amanhã também não lembrará, semana que vem muito menos. É folga, emenda de feriado, descerebrado, só pode, um descabimento desse, deixar a dona assim, de costas duras, bastava erguer o dedão e apertar aonde dói, não mata não, serviço de casa castiga a carcaça igual pegar no batente, parece que não entende.

II.

Ela não quer mais, que fique maneta, esse quengo, a escopeta tá ali de canto, o tranco do último disparo foi tanto que travou a coluna, ai ai ai, esmigalhou os dedos todos.

III.

Deixa passar o feriado que ela arruma outra mão, de outro homem, se insistir na preguiça vai fazer companhia para os demais na vala do quintal, é capaz de nascer um pé de frouxo se enterrar um terceiro no local. Oh mundo pra ter homem mole!

Ainda doem as costas.

IV.
V.
Drama
Bete
mini conto
I.

Encantada com os cheiros, sons, movimentos, cores, formas e sabores; perdeu-se de sua família.

Pôs-se a perguntar aos transeuntes sobre o paradeiro dela. Apenas sorriam e lhe afagavam. Não entendiam a sua língua.

II.

Depois de certo tempo, andar sem a família torna tudo muito ruim: os cheiros, sons, sabores e cores não se comparavam aos de sua casa. Queria voltar e não sabia como. Pôs-se a chorar uma angústia compungente.

III.

Uma transeunte pequena, de olhos fagueiros cor de mel, tomou-lhe nos braços e, parecendo entender seu idioma, lhe acolheu em um abraço:

— Não chore menina! O que você faz longe de sua mãezinha?! Vou chamar-lhe de Bete, ok?!

IV.

Um beijo canino (que os humanos chamam de lambida) foi o sim bem traduzido pela mãe humana com quem conviveu por quatorze anos.

V.
Drama
Fuga
mini conto
I.

Embolar as roupas, enfiá-las na mala, apenas o essencial, sim, o suficiente para viver só, apartado de qualquer opressão, o necessário para dias de frio e calor, uma bebida quente para atravessar a modorra, um livro para atiçar o tédio, de preferência com figuras, pois ainda não lê bem, mas decidiu-se; quer fazer aquilo que lhe apeteça.

II.

Ora, a vida é pra ser vivida, desfrutada já que finita!

Contra a mutilação dos instintos protestava planejando fuga, criança dona do próprio nariz, assim se via até a mãe, batendo pé sob o beiral, braços em xícara, exclamar indiferente a pena daquela partida, pois jazia no forno um bolo.

III.

Desconfiou o blefe, não nascera ontem, mas é inconfundível o cheiro de açúcar queimado com canela.

Tá bom mãe, amanhã eu fujo pra valer.

IV.
V.
Drama
Conchas
mini conto
I.

Entre a areia da praia e o horizonte, há um mundão d’água pra mergulhar.

Fico aqui sentada, desenhando coisas com um graveto, imaginando quando o mar vai apagar. Um coração, meu nome e o nome de alguém.

II.

Não importa mais; o mar apaga.
O mar leva e não volta mais.

Meus olhos se fixam onde a linha divisa o resto do mundo.

“Será que consigo nadar até lá...?
Seria um esforço inútil, já que sei que não vou te encontrar.”

III.

Pensando em tudo e em nada, nem noto que a tarde chega e a noite cai.

Um vento frio me envolve e percebo que é a solidão quem me abraça, calma, mas com mãos enormes.

IV.

Um arrepio me eriça os pelos e não tenho mais medo - te reconheço.

Um gosto de lágrima me chega aos lábios, engulo em seco, e me despeço de ti.

V.

Suspense

De pequenos não possuem nada.
Suspense
Rosa
mini conto
I.

Diego mantinha em casa uma rosa. Por segurança, a deixava trancada e sem sol, regando-a somente o suficiente para que ela não morresse.

A rosa não tinha mais espinhos, pois ele havia os tirado um por um até deixá-la indefesa. Ás vezes até mesmo lhe arrancava uma pétala, só para provar que podia.

II.

Vivendo naquelas condições, a rosa começou a murchar. Já nem mais parecia uma rosa e, em dado momento, até mesmo esqueceu que um dia havia sido uma.

III.

Em uma noite, Diego chegou tão bêbado que quebrou seu vaso. O graveto seco rolou pelo chão, caindo perto da janela. De lá pode ver o jardim e as outras flores.

IV.

Movida então por uma coragem que não sabia ter, Rosa disse basta. Fez suas malas e partiu, sabendo que estava na hora de desabrochar. E, principalmente, que não estava sozinha.

V.
Suspense
Enforcado
mini conto
I.

Fico parado observando o homem andar reclinado até o patíbulo, quase curvado até o chão, como se o peso de seus pecados o empurrasse para baixo.

A multidão grita, vaiando o condenado, enquanto o juiz lê seus crimes. Invasão. Roubo. Assassinato.

II.

Me mexo com desconforto e encaro o culpado de frente, relembrando da última vez que havia visto minha esposa, antes de a terem encontrado em meio uma poça de sangue. O homem me encara de volta e um pouco de luta parece voltar aos seus olhos.

Tarde demais.

III.

O chão se abre e a platéia reage com alegria enquanto suas pernas balançam no ar. Eu desvio o olhare espero o espetáculo terminar. Alguém aperta meu ombro e afirma que devo estar aliviado.

E eu realmente estou.

IV.

Agora sem a única testemunha, poderei herdar o dinheiro sem problema. E nunca mais vou ter que aturar aquela mulher novamente.

V.
Suspense
Cotidiano
mini conto
I.

O trânsito estava intenso às 17h no centro do Rio, mas Eduardo não ligava. Era a terceira viagem que fazia sem descer do coletivo.

Com a testa colada contra a janela, acompanhava o cortejo luminoso das lanternas traseiras dos veículos, e suspirava.

II.

De repente…

- Perdeu otário! Passa tudo! - sussurrou um sujeito esquisito que tinha acabado de sentar a seu lado.

- Cara, acho que não vai dar. Noite ruim. - ele respondeu, sem mover um músculo.

III.

- Tá tirando onda, playboy? Passa o celular! - Rosnava o ladrão, com uma faca contra suas costelas.

Lentamente, Eduardo se ajeitou no banco e olhou para o meliante.

IV.

- Lamento. Um outro passou antes de você, e já não tenho mais nada que possa me tirar, a não ser a bala que ele deixou na minha testa. Serve?

V.
Suspense
Término
mini conto
I.

-Você me ama? -ele perguntou, segurando sua mão com força,para que lhe desse atenção.

-Oi?

-Caramba, Ana! É tão difícil falar essas palavras? É tão difícil você demonstrar algum tipo de afeto?

II.

Ana estava chocada.

-Tanto tempo me dedicando a você, me entregando a você, cuidando de tudo por você, e o que eu ganhei? Hãn?

-Theo, olha…

III.

Theo perdeu a paciência. Apertou sua mão com mais força. Prevendo o caminho que ele tomaria, Ana tentou se soltar.

-Nada! Sempre me sugando, e nada!!!

-Não, Theo, por favor!

-Sinto muito!

IV.

Com a mão livre, pegou a estaca e afundou sua ponta no peito de Ana, que transformou-se numa criatura grotesca, e depois em pó, que foi levado por um vento anormal.

Era melhor passar uma vida mortal sozinho, do que viver uma eternidade com alguém que não correspondia ao seu amor.

V.
Suspense
Quarentena
mini conto
I.

6ª dia de Quarentena.

Querido diário, sem nada para fazer, comecei a observar a rotina dos vizinhos. Descobri que, mesmo em quarentena, a Beth (minha vizinha) arranja um jeito de trair o marido. Irresponsável. Estamos em quarentena, porra!

II.

9ª dia de Quarentena.

Não é que o velho Bill (meu outro vizinho), tacou o foda-se para o isolamento.

III.

12ª dia de Quarentena.

Querido diário, faz três dias que observo o velho Bill. Ele sai de carro toda noite, e quando volta tira algo do porta malas, mas não consigo identificar.

IV.

15ª dia de Quarentena.

Decidi que amanhã à noite vou entrar na casa do velho Bill, logo assim que ele sair.

V.

16ª dia de Quarentena.

Encontrei corpos no porão. Tudo cheirava a carniça. O velho Bill chegou bem na hora e acho que me viu saindo do seu quintal. A polícia ainda não chegou, mas...

Suspense
Isolamento
mini conto
I.

Ruas vazias. Comércio local fechado. Silêncio.

Mesmo sendo mais recluso, não estava preparado para aquele isolamento.

Recorria ao celular, mas as notícias e opiniões divergiam, e não havia nenhuma mensagem significante.

II.

Não era “frescura”: de livros e séries, ele estava muito bem, os exercícios latejavam seus músculos e a casa estava tão limpa que virou compulsão.

Aqueles dias já estavam afetando seu psicológico cada vez mais.

III.

Cadê os vizinhos? As crianças?
Cadê todo mundo? A ansiedade bateu.
Estaria ficando…?

TOC-TOC.

Rapidamente, abriu a porta.

IV.

- Oi, Ivã. Desculpe vir assim sem avisar, mas... sabe como é? Esse isolamento está me deixando meio maluca...

- Que bom que veio! Entre, Bianca! Quer fazer alguma coisa?

-Conversar!....E um café, também.

V.

Romance

De pequenos não possuem nada.
Romance
A Promessa
mini conto
I.

Não foi um dia muito fácil, a dor da perda o perseguia em cada passo que dava.

Lá no fundo sentia que poderia ter feito algo diferente, sei lá, se tivesse segurado com mais força, talvez não a tivesse perdido.

II.

Agora era tarde. O maior clichê da vida é a morte, quando ela chega vemos o que deveria ter sido dito e não foi.

Mas ele não iria embora dali, não sem ela, afinal, fizeram uma promessa de ficarem juntos. Esperaria o quanto fosse preciso na mesma poltrona em que morreu, até ela poder deixar a casa com ele e partirem juntos.

III.
IV.
V.
Romance
Apolo
mini conto
I.

Onde vc está?
Sé. Longe... Vc?
Ainda esperando o busão
Meodeos...
Que foi?
Tem um deus grego aqui
No seu vagão?

II.

Na minha frente
Com sua sorte, só pode ser Hefesto
Não! É Apolo
Certeza? Vc nunca foi boa em mitologia grega
Apolo em toda sua glória
Manda foto
Como?

III.

Finge que tá mexendo em alguma coisa e tira, ué. Discretamente
Tá.

30 minutos depois.

Alice? Ta aí? Td bem?
Vc me paga!
?

IV.

Disparou o flash, paguei o maior mico da minha vida
HSHUASHHAUHSUA
Vc ri? Fiquei com tanta vergonha que saí do metrô, entrei no que estava do outro lado da plataforma e me perdi. Agora estou num ônibus que passa perto de cas.. meodeos!
O que?

V.

Ta vindo pra cá

Apolo acabou de entrar no ônibus
Não!!!!

30 minutos depois.

Alice? Kd vc? O que tá acontecendo?
Conto depois. Não da pra tirar foto agora S2 S2

Romance
Sonhadora
mini conto
I.

Emilly cresceu ouvindo contos de fadas, ainda morava com os pais, fazia só tarefas domésticas, se preparando para um príncipe.

Ensaiava seu casamento e usava sempre longos vestidos.

II.

Um dia finalmente conheceu Vitor, que também procurava um relacionamento sério, pelo menos um sério, porque queria continuar com outros mais divertidos.

Daí ela finalmente percebeu que ninguém viria salvá-la!

III.

Ela precisava sair do “castelo”, matar seus próprios monstros, parar de depender de beijos e príncipes encantados, tirar aqueles vestidos “bregas” e mostrar que ela era dona de todo poder que buscava nos outros.

IV.

Hoje mora em um trailer turístico e ganha dinheiro levando pessoas a conhecerem lugares que inspiraram castelos de princesas. Conheceu Paulo e vivem cada dia como se fosse o último.

V.

Sci Fi

De pequenos não possuem nada.
Sci-Fi
Tempo
mini conto
I.

“O tempo é uma ferramenta que foi criada para controlar as nossas vidas”.

Não me lembro quem me disse isso quando eu era garoto, mas essa visão do tempo me perturbou e me instigou por toda a vida.

II.

Quanto tempo temos?
Porque temos que nos curvar a ele?
E se pudéssemos caminhar por ele?
O que daríamos em troca?

Não me lembro em que momento os primeiros começaram a manipular seu próprio tempo, passado e futuro, pagando a ele com suas próprias vidas.

III.

Eu apenas entendi a teoria das cordas, e aprendi a vibrar em outras frequências, e assim, viver entre momentos.

Eu venci o tempo.
Enganei o tempo.
Paguei ele com vidas de outros.

IV.

Ele deixou de se importar comigo.

Estou assim há eras, tudo já se extinguiu no universo, só restou a escuridão e o silêncio. Não estou vivo e nem morto, apenas sou.

V.

Me tornei prisioneiro do que sempre fugi, no final ele me enganou, e me aprisionou nesse momento infinito.

Devia tê-lo tratado com o devido respeito.

Sci-Fi
Testemunha
mini conto
I.

Foi em um encontro na Lapa, quando Marcos nos chamou para revelar sua ausência nos últimos sete anos.

- Sei que é difícil de acreditar, mas há sete anos, fui abduzido. Há alienígenas entre nós!

II.

Todos riram, como era de se esperar. Ele tentou nos mostrar as filmagens em seu celular, mas ninguém deu muita bola.

Marcos parecia estar mais nervoso do que antes.

III.

Rafael, tocou seu ombro para acalmá-lo, mas isso pareceu incomodá-lo ao ponto de sacar uma arma, apontar e ….

IV.

Tudo acontece rápido demais. Até onde a paranoia pode levar o ser humano? O que aconteceu de verdade com Marcos para chegar a esse ponto?

Volto minha atenção para Rafael, seu corpo estirado na calçada, escorrendo sangue verde e sua fisionomia se tornando lentamente menos humana.

V.
Sci-Fi
Q.I.
mini conto
I.

– 118!

– Isso é fichinha, contramestre! Este barco tem QI acima de 130.

– E tu, marujo, qual o teu QI?

– Não quero te dizer o meu.
O moço de convés tinha vergonha do QI abaixo da média.

II.

O navio E=MC2 era o primeiro barco comandado pelo aprendizado profundo das máquinas.

O moço do convés ficava intrigado. E se aquele monstro que se movia a 50 nós por hora tivesse algum devaneio cibernético?

III.

Ao limpar os instrumentos, notou uma silhueta na tela. Parecia ser um grande navio se aproximando.

Indiferente, o E=MC2 seguia seu rumo.
O marujo pensou: “Isto não deve estar correto!”

IV.

Temendo o pior, relatou sua desconfiança ao comandante.

O experiente navegador pegou seu binóculo. Logo adiante uma nau se aproximava rapidamente.

Era outro navio inteligente.
A rebelião das máquinas começou pelo mar.

V.
Sci-Fi
Hacker
mini conto
I.

As lojas fechadas, shopping centers trancados, ruas vazias.

Este era o cenário perfeito para mim: hackear empresas e sites e lucrar com isto.

II.

Fui rapidamente para meu computador, liguei ele e logo comecei a pesquisar por onde iria começar.

Muitas solicitações, muita demanda, entre elas, um e-mail sem assunto.

III.

Decidi abrir, afinal um hacker não pode ser hackeado e imediatamente minha tela piscou e tudo desapareceu.

Uma imagem surgiu na tela instantes depois: Você foi hackeado por COVID-19.

IV.
V.
Sci-Fi
Urbanos
mini conto
I.

Em dias de tempestade, raios e trovões, um grupo estranho pega seu barco e navega silencioso pelos esgotos mal cheirosos.

Chegam aos canais, alcançam as valas e ganham as ruas. Com o auxílio da noite, camuflados por suas enormes capas, diluem-se em meio a tantos rostos estranhos que enfrentam o mau tempo.

II.

Ninguém se olha. Ninguém percebe os olhos amarelos. Pobres humanos, nem deram conta do que os atingiu.

Arrastados para os bueiros são devorados nas obscuras galerias de um metrô abandonado. Seus gritos são abafados pelo barulho ensurdecedor da passagem do trem sobre os trilhos.

III.

Assim os homens crocodilo alvejam os incautos pelas ruas desertas e limpam os rastros com seus enormes rabos esverdeados.

IV.

Na próxima tormenta fiquem espertos. Não saiam sozinhos. Desconfiem dos enormes sobretudos.

V.
Sci-Fi
Aliens
mini conto
I.

Quando as primeiras naves apareceram nos céus todos entraram em pânico.

Nossas defesas estavam preparadas para reprimir qualquer tentativa de invasão.

Mas os aliens entraram em contato antes de avançarmos sobre eles.

II.

- Viemos em paz!

- Trouxemos presentes!  

Quando menos esperávamos, atacaram covardemente.

Por muito pouco não fomos exterminados.

III.

Nosso serviço de inteligência capturou alguns aliens vivos e descobrimos o seu planeta de origem.

Não deixaremos que invadam nosso planeta novamente, agora é nossa vez de visitar a casa deles, hoje a noite, atacaremos o Planeta Terra.

IV.
V.
Comunidade

Condado

Entre na comunidade da Bilbbo para interagir com os criadores de mundos e contar histórias épicas.

Toc. Toc. Entrando!