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Toda semana um novo Mini para você.

Café
Sci-Fi

I.

Chegou na calçada, me olhou, entregou a carta e saiu cantarolando, correndo pela rua. A menina parecia assustada.

Bem, quem é que entrega cartas hoje em dia? Abri o envelope.

II.

As letras mais bizarras que eu já vi... Pareciam códigos de computador, escritos com uma tinta escura e mal cheirosa.

Lembrei da água no fogo, voltei às pressas pra passar o café. Terminando, sentei no sofá e adormeci.

III.

A campainha tocou, me acordando. Tive que atender uma menina estranha no portão.

Abri a porta. Vento gelado e silêncio total. A criança me entregou um envelope e saiu.

IV.

Abri e li: "você está preso num loop".

Criança louca...Dei risada, voltei pra dentro pra terminar de passar o café...

V.

Salvação
Suspense

I.

Adão corria sempre até o fim daquela via inacabada. Gostava de fazê-lo durante à tarde, quando o pôr do sol refletia-se sob as águas da represa.

Também era um momento em que as pessoas iam menos lá. Ainda mais naquele inverno.

II.

Enquanto observava as nuvens tingidas de vermelho e roxo, como numa aquarela, notou alguém se debatendo nas águas da represa.


— Que droga! — disse, embora estivesse sozinho. Exceto pelo futuro afogado.

III.

Ninguém deveria entrar na represa, muito menos tentar nadar. Mas Adão ignorou aquilo.

Correu até a cerca, atravessou-a e mergulhou nas águas frias. Salvaria aquele idiota de si mesmo. Quando se aproximou, deparou-se com o rosto anfíbio.

IV.

Ninguém deveria entrar na represa, muito menos tentar nadar. Mas Adão ignorou aquilo.

Correu até a cerca, atravessou-a e mergulhou nas águas frias. Salvaria aquele idiota de si mesmo. Quando se aproximou, deparou-se com o rosto anfíbio.

V.

Festa
Suspense

I.

O homem saiu da festa para o jardim, meio bêbado. Precisava respirar um pouco. Atrás de si a música ainda tocava alta e as pessoas riam.

Foi somente quando se encostou na parede que notou que não estava sozinho. Uma mulher esguia estava lá, fumando cigarro.

II.

-Vim respirar um pouco.
Ela concordou, sem desviar os olhos da paisagem. Da penthouse dava para ver a cidade acesa e as estrelas.
-Como está lá dentro?
-Animado.
Ele se aproximou e a morena lhe ofereceu o cigarro. O homem aceitou e deu uma tragada.

III.

-Quando acha que vai acontecer?
Ela deu os ombros.
-É melhor não saber, eu acho.
-Verdade.
Ficaram em silêncio ao que uma risada alta e o barulho de algo se quebrando os fez rir.
Ele devolveu o cigarro.

IV.

Foi quando o céu começou a ficar vermelho e um vento quente os atingiu em cheio.
A mulher deu uma longa tragada e jogou a bituca no chão, apagando-a com a ponta do salto.
-Não deveria estar com a família?
-Eu não tenho ninguém.

V.

Ambos olharam um para o outro e se deram as mãos pouco antes do cometa atingir a Terra.
E a festa finalmente acabou.

Não tem certeza de qual ler primeiro?

Vamos olhar todo o catálogo de mini contos da Bilbbo e trazer um que seja a sua cara!

Ler meu Mini!
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Adolfo
Suspense

I.

Nem os olhos roxos conseguiam retirar o sorriso simpático, enquanto ela oferecia seus biscoitinhos para toda a delegacia.

O delegado chamou-a em sua sala.

- Dona Nina, conte novamente seu incidente, por favor.

II.

- Pois bem. Dos maridos que tive, Adolfo até foi um dos bons, mas se fosse contrariado, era em mim que descontava sua frustração.

- Sempre foi ou hoje foi a gota d'água?

- Ele era bem previsível, sabe? Mas aí...

III.

- Mas aí...?

Um brilho no olhar daquela senhora ligou o alerta na cabeça dele.

- Não admito palavrão em minha casa, senhor. Ele me chamou de puta! Enfiei minha melhor faca nas costas dele.

Dona Nina sorriu.

IV.

Ele recebeu uma mensagem no celular: "Achamos mais 'coisas' na casa da senhora."

- Aceita outro biscoitinho enquanto lhe conto minha sina de viúva?

V.

Alfredo
Suspense

I.

Calma, Dona Nina falava com o delegado, enquanto este devorava seu biscoitinho.

- Alfredo foi meu primeiro marido. Desatento ao extremo. Passei os primeiros anos me devotando a ele.

No celular do delegado, mensagens surgiam.

II.

"Ela tem um porão! Parece o asilo de 'Jogos Mortais'. Quem mais morava com eles?"

Doce, ela falava:

- Aí, você tem uma iluminação. Ele me trocava pelos amigos e o futebol. - Que espécie de homem faz isso? Um dia, passei as roupas dele e preparei o café.

III.

- Até pão quente com manteiga fiz. Mal-humorado, não disse nem bom dia ou muito obrigado. Comeu em silêncio, o traste! Sequer sentiu o gosto do veneno de rato.

Em silêncio, o delegado olhou o biscoitinho mordido.

IV.

- Não se preocupe. O senhor parece dar a atenção necessária a uma mulher.

Disse ela sorrindo.

V.

Alberto
Suspense

I.

"Estou aguardando a análise de um objeto suspeito.", dizia a mensagem.

- Dona Nina, pelo que eu percebi, não houve nenhum marido que não….

- Me aborreceu? Ela sorriu.

- Ah, bem, teve o Alberto. Tocava violão e cantava para mim.

II.

- Adorava Ritchie…"Menina veneno, você tem um jeito doce de ser…"

- Outro marido com A?!

- E tem algo errado nisso, senhor?

- Não, inclusive, meu nome é Adriano. 

- Mas o mundo é pequeno demais!

III.

- Aceite mais um biscoito, sim?
Ofereceu, deliciada.

- E o que houve com o Alberto?

- Oh! Meu querido Alberto faleceu.Era alguns anos mais velho do que eu. Câncer no pâncreas; não havia o que fazer! Quase fui à falência para salvá-lo. 

IV.

“Confirmamos que o abajur é feito de carne humana.”, estava na mensagem.

- Mas ainda bem que salvei uma parte dele que vela meu sono todas as noites...

V.

Aquino
Suspense

I.

O delegado, educado, falava:
- A escrivã foi fazer um café. Aceita?
 
-Por que não?
Dona Nina sorriu.

-Aquino, meu outro marido, bebia muito, para curar as ressacas. Eu perdoava o alcoolismo. Não satisfeito, ele me traiu com uma sirigaita qualquer.

II.

- Por causa dele, quase fiz algo que me arrependi. Com o encanador. Um rapaz bonito. E eu era mais jovem.

- Ele me beijava perto da pia. Me fazia sentir coisas, sensações. Quando eu lembrei que era casada, acertei a cabeça dele com a chave de grifo.

III.

- Aquino chegou bêbado e cheirando perfume barato. 'Estava cuidando de minhas coisas, megera!', ele disse.

- A culpa foi dele. Quase virei uma adúltera. Por isso, acertei-o com a mesma chave de grifo.

IV.

- Os dois adubam meu jardim até hoje.

No celular, surgiu a mensagem:
"Há dois esqueletos no jardim."

V.

Alcides
Suspense

I.

Os biscoitinhos tinham acabado. Dona Nina parecia uma avó contemplando seu neto. O delegado estava empanturrado. Tentou se justificar:

- Parei de fumar há pouco tempo, então, estou substituindo o cigarro pelo doce. Mas estavam realmente bons!

II.

- Entendo. Meu Alcides tentou muitas vezes largar esse vício também. Fez de tudo um pouco, e começou a engordar, mas não de uma forma boa. Ele comia um bolo inteiro se eu deixasse, sabe?

- E imagino que a senhora ficou escrava do fogão?

III.

- Fiquei, mas não por muito tempo. Piscou.

Sem mensagens. Bom sinal?

- Não precisei fazer muito. Ele morreu intoxicado com uma fornada de biscoitinhos, exatamente como essa.

IV.

- Usei meu ingrediente secreto... Pó de Maridos.

Gargalhou. 

O delegado só teve tempo de chegar ao corredor. Outros desavisados estavam no mesmo estado.

V.

Adriano
Suspense

I.

Alguns meses depois...

- Sabia que viria me visitar.
Disse dona Nina, na área de visitas da Prisão.

Adriano sentou-se ao lado dela:
- Tinha de vir. Tenho uma pergunta. A senhora poderia permanecer ilesa. Por que ir à delegacia? Por que se entregar?

II.

O sorriso no rosto, a senhora disse:
- Não. Eu não me entreguei. De que adiantaria fazer o que fiz, sem contar a ninguém. Não tenho filhos e o senhor me pareceu o mais próximo a um neto.

- Peraí! Não se arrependeu?

III.

- Todos os meus maridos foram homens terríveis. Ninguém vê isso. Quem era o monstro, afinal?

- Mesmo com o que acharam em sua casa, a senhora ainda conseguirá sair por causa de sua idade.

- O advogado foi muito bom. Lembrou meu finado Astrogildo.

IV.

- A senhora teve um marido advogado?

- Se tiver tempo, posso continuar contando minha sina de viúva.

V.

Terror
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A Descida
Terror

I.

O elevador descia vagarosamente, como se, por sarcasmo, quisesse que ele pensasse em seus pecados. O calor, que já estava insuportável antes, agora parecia queimar lentamente cada célula do seu corpo, fazendo o suor em seu rosto ziguezaguear desagradavelmente, até cada gota despencar contra o chão.

II.

Um lento blues tocava no fundo do elevador. "Música do diabo" pensou ele, sentindo cada nota infernal arder em sua cabeça, forçando-o a fechar os olhos e ver, no escuro deles, o sorriso do seu anfitrião.

III.

- Pelo amor de Deus, da pra descer mais rápido?!

- Gritou contra as grandes portas de aço. E riu, quando se deu conta do que disse.

IV.

O grito não ajudou, e a demora se estendeu por um bom tempo.

Quando enfim as portas se abriram,
mesmo estando no inferno, ele rezou para que elas se fechassem novamente.

V.

O Jantar
Terror

I.

Havia um boato entre as crianças que Dona Lígia era uma bruxa. De que a noite, ela arrumava uma mesa com sete assentos vazios e ficava sentada lá, conversando com almas penadas. Meus pais balançavam a cabeça e diziam que não, que ela era apenas uma pobre mulher que havia perdido os filhos e a razão.

II.

Certa noite, um pouco antes da Missa do Galo, tive que levar um prato de janta para a senhora. Atravessei a rua mal iluminada e desci pela estrada de terra até a última casa do bairro, perdida em meio às plantas.

III.

Dona Lígia sorriu e pediu para que eu entrasse. Atrás de mim, um barulho distante de comoção chegou aos meus ouvidos, alguém gritando que havia acontecido um acidente.

IV.

-Vamos, querida, entre. Todo mundo está esperando, só faltava você. E dessa vez, quando sento à mesa, noto que todos os assentos estão ocupados.

V.

A Espera
Terror

I.

- Que frio, não acha?

- Não.

- Só queria conversar. Essa parada é escura, estou com medo de ficar sozinha depois que seu ônibus chegar.

- Desculpe, estou de mau humor com a espera do ônibus.

II.

- Faz tempo que espera?

- Não lembro, o seu atrasou?

- Não sei... Você tem horas?

- Que horas é o seu ônibus?

- Não sei.

- Então ajuda saber as horas?

III.

- Tem razão. Qual você está esperando?

- Qualquer um.

- Qualquer um?

- Não sei onde ir. Para quem não sabe, qualquer um serve.

- Também não sei qual pegar.

- Já nos vimos?

IV.

- Talvez, por isso não tive medo de puxar assunto. Aqui me dá calafrios.

- Também não gosto.

- Sabe, não sou medrosa, mas ouvi dizer que quando alguém morre fica em um looping, revivendo a mesma cena, até estar pronto para seguir. Só de pensar em fantasmas fico congelada.

V.

- ...

- Que frio, não acha?

Lambuza
Terror

I.

A boneca veio embrulhada em um lindo laço cor de rosa. Vivi mal podia acreditar: parecia um bebê de verdade, com olhos azuis famintos e bochechas manchadas de comida, acompanhada de um pratinho e colher plástico.

Júlia, como dizia o nome na caixa, foi o melhor presente de aniversário de todos e Vivi dormiu abraçada com ela naquela noite.

II.

Durante a madrugada, no entanto, a menina acordou com um barulho. O travesseiro ao seu lado estava vazio e a porta do quarto aberta. Havia uma pequena sombra embaixo de sua cama.

-Mãe? Pai? - perguntou baixinho.

Não houve uma resposta. Apenas uma risadinha atrás de si.

III.

Movida pelo susto, Vivi tomou impulso e se levantou, dando de cara com um corredor mal iluminado. Algo parecia lhe espreitar das trevas, pronto para agarrar seu tornozelo.

Ela soltou um grito e começou a correr, sentindo um vento frio na nuca no exato momento em que alcançou a segurança do quarto dos pais e trancou a porta.

IV.

Respirou aliviada.

Quando se virou, no entanto, se deparou com os corpos dos pais estraçalhados na cama.

Partes haviam sido arrancadas e mordidas e, sentada no meio deles, estava Júlia. Com o rosto lambuzado de sangue.

V.

Fanpava
Terror

I.

Segurando a boneca pelo braço a criança pergunta:

- Papai.. papai!
- Po que ela não pala de choiá?

-Já deu papinha para ela?
Indaga o pai.

II.

Fitando o canto escuro do cômodo ela responde:

- Não papai, fanpava não come papinha! Come alma...

III.

IV.

V.

Cantiga
Terror

I.

Larry, Larry, Larry o espantalho

Todos dizem que passava
o dia inteiro pendurado
por um cabo de vassoura,
no campo do Seu Fábio.

Destruído pelo tempo,
já não tinha mais um lado.
E redondo em sua barriga,
já se via um buraco.

II.

Ainda nessa história,
Havia Billy Delgado
O filho do fazendeiro
e que era muito mal criado.

Todo dia, depois da escola,
o rapaz voltava irritado
e, sempre, depois da colheita,

ele amassava Larry com o arado.

III.

No Halloween, no entanto,
depois de uma festa do condado,
Billy resolveu voltar sozinho
e entrou no campo para um atalho.

Larry, vendo a oportunidade,
desceu de seu lugar com cuidado.
E pela manhã, Billy havia sumido
e Larry tinha um novo braço.

IV.

V.

Drama
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Cordão
Drama

I.

O que foi filha?
Porquê está chorando?

Nada não mãe, é apenas minha TPM. Dessa vez esta bem complicada.

Termino a conversa e subo para meu quarto.
Não consigo parar de pensar.

II.

Era essa semana que iria dar a luz. Hoje completariam os 9 meses. Ele se chamaria Pedro.
Ironia não?! Ser o mesmo nome do açougueiro que tirou ele de mim.

III.

IV.

V.

Histórias
Drama

I.

Quando mais novo, escutei por muitas vezes histórias de uma espécie de morto-vivo que ficava vagando por ai, impossibilitado de descansar pois havia sido banido do céu e do inferno, condenado a permanecer no mundo dos vivos.

II.

Isso sempre me pareceu uma das muitas histórias que me contavam para garantir que eu fosse uma criança bem comportada.

III.

Até o dia em que me deparei com um corpo, extramente seco, no final de seu processo de decomposição, vagando de um lado para o outro na rua de casa.

IV.

V.

Fuga
Drama

I.

Embolar as roupas, enfiá-las na mala, apenas o essencial, sim, o suficiente para viver só, apartado de qualquer opressão, o necessário para dias de frio e calor, uma bebida quente para atravessar a modorra, um livro para atiçar o tédio, de preferência com figuras, pois ainda não lê bem, mas decidiu-se; quer fazer aquilo que lhe apeteça.

II.

Ora, a vida é pra ser vivida, desfrutada já que finita!

Contra a mutilação dos instintos protestava planejando fuga, criança dona do próprio nariz, assim se via até a mãe, batendo pé sob o beiral, braços em xícara, exclamar indiferente a pena daquela partida, pois jazia no forno um bolo.

III.

Desconfiou o blefe, não nascera ontem, mas é inconfundível o cheiro de açúcar queimado com canela.

Tá bom mãe, amanhã eu fujo pra valer.

IV.

V.

Honra
Drama

I.

A fumaça subia pelo fino cano da minha pistola.O cheiro forte da pólvora queimava e aquecia meus pulmões.
Era amargo, mas ao mesmo tempo, saboroso. Fazendo meu amarelado sorriso surgir.

Eu tremia com a adrenalina, que aos poucos ia tomando conta do meu corpo.

II.

A cerveja escorria dos barris e dançava pelo chão da taverna, lentamente se misturando com o vermelho sangue dos corpos perfurados e já sem vida.

Quatro balas. Quatro homens ainda de pé. O nervosismo aumentava o sorriso.

III.

"Que se foda" - foi o pensamento que me fez levantar.

A primeira bala perfurou o ombro.
A segunda e a terceira rasgaram o peito. A quarta se perdeu em algum outro lugar.

IV.

Minhas quatro balas, no entanto, continuaram no tambor. Meu sangue se juntou também a cerveja, e a tremedeira enfim parou.
Mas o amarelado sorriso não saiu do meu rosto.

V.

Dor
Drama

I.

Prometera, ontem, uma massagem. Hoje esqueceu, amanhã também não lembrará, semana que vem muito menos. É folga, emenda de feriado, descerebrado, só pode, um descabimento desse, deixar a dona assim, de costas duras, bastava erguer o dedão e apertar aonde dói, não mata não, serviço de casa castiga a carcaça igual pegar no batente, parece que não entende.

II.

Ela não quer mais, que fique maneta, esse quengo, a escopeta tá ali de canto, o tranco do último disparo foi tanto que travou a coluna, ai ai ai, esmigalhou os dedos todos.

III.

Deixa passar o feriado que ela arruma outra mão, de outro homem, se insistir na preguiça vai fazer companhia para os demais na vala do quintal, é capaz de nascer um pé de frouxo se enterrar um terceiro no local. Oh mundo pra ter homem mole!

Ainda doem as costas.

IV.

V.

Planos
Drama

I.

Já faz algum tempo que ando me planejando.

Não fiz carta de despedida, não deixei coisas separadas para aqueles que poderiam querer algum tipo de satisfação. Apenas me planejei, cada passo, cada movimento, cada ação.

II.

Quando deixei aquele lugar, finalmente me desfiz das amarras que há tantos anos me prendiam e, pela primeira vez em muito tempo, respirei com alívio e sorri verdadeiramente.

III.

IV.

V.

Suspense
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Cotidiano
Suspense

I.

O trânsito estava intenso às 17h no centro do Rio, mas Eduardo não ligava. Era a terceira viagem que fazia sem descer do coletivo.

Com a testa colada contra a janela, acompanhava o cortejo luminoso das lanternas traseiras dos veículos, e suspirava.

II.

De repente…

- Perdeu otário! Passa tudo! - sussurrou um sujeito esquisito que tinha acabado de sentar a seu lado.

- Cara, acho que não vai dar. Noite ruim. - ele respondeu, sem mover um músculo.

III.

- Tá tirando onda, playboy? Passa o celular! - Rosnava o ladrão, com uma faca contra suas costelas.

Lentamente, Eduardo se ajeitou no banco e olhou para o meliante.

IV.

- Lamento. Um outro passou antes de você, e já não tenho mais nada que possa me tirar, a não ser a bala que ele deixou na minha testa. Serve?

V.

Edgar
Suspense

I.

Oi. Meu nome é Edgar, e gosto dele, mas me chamam sempre de “seu coisinha”.

Será uma praga? Estou pensando em botar uma placa no peito, já que meu crachá não é suficiente.

II.

Na última sexta fiz hora extra. Não fui beber com o pessoal. Estava muito chateado. Senti que me convidaram por pena. Sou bem mais velho, mas um cara legal.

Participo de rateios, lembrancinhas, aniversários, ajudo os novatos... Contudo, não parece o bastante.

III.

Observo as fotos em seus celulares, mas nunca estou nelas.

Na segunda cheguei cedo, liguei o ar condicionado, a Xerox e até passei café. Achei que demonstrariam algum remorso, mas chegaram aos poucos sem sequer me dar um bom dia.

IV.

Reclamaram da sala fria, de um cheiro estranho no ar, e do café gelado. Povo ingrato! Irado, chutei umas cadeiras, mas acho que exagerei. Gritaram apavorados.

Frustrado, fui juntar minhas coisas e percebi alguém caído sobre minha mesa.

V.

Era eu, morto, desde o fim de semana e, como sempre, ignorado.

Rosa
Suspense

I.

Diego mantinha em casa uma rosa. Por segurança, a deixava trancada e sem sol, regando-a somente o suficiente para que ela não morresse.

A rosa não tinha mais espinhos, pois ele havia os tirado um por um até deixá-la indefesa. Ás vezes até mesmo lhe arrancava uma pétala, só para provar que podia.

II.

Vivendo naquelas condições, a rosa começou a murchar. Já nem mais parecia uma rosa e, em dado momento, até mesmo esqueceu que um dia havia sido uma.

III.

Em uma noite, Diego chegou tão bêbado que quebrou seu vaso. O graveto seco rolou pelo chão, caindo perto da janela. De lá pode ver o jardim e as outras flores.

IV.

Movida então por uma coragem que não sabia ter, Rosa disse basta. Fez suas malas e partiu, sabendo que estava na hora de desabrochar. E, principalmente, que não estava sozinha.

V.

Salvação
Suspense

I.

Adão corria sempre até o fim daquela via inacabada. Gostava de fazê-lo durante à tarde, quando o pôr do sol refletia-se sob as águas da represa.

Também era um momento em que as pessoas iam menos lá. Ainda mais naquele inverno.

II.

Enquanto observava as nuvens tingidas de vermelho e roxo, como numa aquarela, notou alguém se debatendo nas águas da represa.


— Que droga! — disse, embora estivesse sozinho. Exceto pelo futuro afogado.

III.

Ninguém deveria entrar na represa, muito menos tentar nadar. Mas Adão ignorou aquilo.

Correu até a cerca, atravessou-a e mergulhou nas águas frias. Salvaria aquele idiota de si mesmo. Quando se aproximou, deparou-se com o rosto anfíbio.

IV.

Ninguém deveria entrar na represa, muito menos tentar nadar. Mas Adão ignorou aquilo.

Correu até a cerca, atravessou-a e mergulhou nas águas frias. Salvaria aquele idiota de si mesmo. Quando se aproximou, deparou-se com o rosto anfíbio.

V.

Quarentena
Suspense

I.

6ª dia de Quarentena.

Querido diário, sem nada para fazer, comecei a observar a rotina dos vizinhos. Descobri que, mesmo em quarentena, a Beth (minha vizinha) arranja um jeito de trair o marido. Irresponsável. Estamos em quarentena, porra!

II.

9ª dia de Quarentena.

Não é que o velho Bill (meu outro vizinho), tacou o foda-se para o isolamento.

III.

12ª dia de Quarentena.

Querido diário, faz três dias que observo o velho Bill. Ele sai de carro toda noite, e quando volta tira algo do porta malas, mas não consigo identificar.

IV.

15ª dia de Quarentena.

Decidi que amanhã à noite vou entrar na casa do velho Bill, logo assim que ele sair.

V.

16ª dia de Quarentena.

Encontrei corpos no porão. Tudo cheirava a carniça. O velho Bill chegou bem na hora e acho que me viu saindo do seu quintal. A polícia ainda não chegou, mas...

Ó Céus
Suspense

I.

Lurdes estava sentada no banco da praça alimentando as pombas, quando um homem bastante alto sentou-se ao seu lado.

- Você veio me buscar?
- Sim.

- Posso terminar de alimentar as pombas?
- Claro.

II.

Após finalmente terminar de alimentar cada um dos pequenos pássaros, Lurdes olhou para o homem que vestia um elegante terno e perguntou.

- Como é lá? Digo, como é o céu?
- É lindo, perfeito e maravilhoso, como tem de ser.

III.

- Eu vou gostar?
- Provavelmente, gostaria bastante.

- Gostaria? - Perguntou surpresa.
- Sim, infelizmente você não vai pra lá.

Lurdes, agora em choque, tremia. Certamente, se já não fosse morrer, morreria de infarto agora mesmo.

IV.

- Mas sempre fui uma pessoa boa, bela, recatada e do lar.

- Eu sei Lurdes, é uma pena mesmo você não ter curtido aquela imagem de Jesus no Facebook e ter escolhido ir para o inferno.

V.

Romance
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Estrela
Romance

I.

Eu já amei uma vez.

A muito tempo atrás eu me lembro de ter visto uma estrela, foi a primeira vez que senti meu coração bater mais forte.

II.

Eu só queria tê-la, então desejei que ela ficasse.

Eu não acreditei quando percebi que ela vinha em minha direção.

III.

IV.

V.

Julieta
Romance

I.

De repente eu estava ali, olhando a sacada onde Romeu e Julieta fizeram suas juras de amor. Vi diversas mulheres deixando suas cartas com intuito de alguma forma serem respondidas.

II.

Sentei em um banco de pedra e acompanhei o vai e vem de pessoas durante todo o dia. Ao invés de escrever, resolvi pedir mentalmente o que eu gostaria.

III.

Olhei pra sacada e comecei:

- Querida Julieta, nesses 40 anos tive muitas decepções, algumas tão leves que mal me recordo. Outras tão duras que me deixam sem chão.

IV.

- Hoje venho te pedir que mande meu amor. Não importa sua cor, credo, forma física ou intelectual, desde que seja ELE…

V.

Antes que eu pudesse terminar meu pedido, senti uma mão pousando em meu ombro e quando eu olhei, eu sabia que era ele, pois era igual ao que aparecia em meus sonhos.

Carnaval
Romance

I.

Juraram amor eterno ao se verem, entre um trio e outro.

Não perderam tempo trocando desnecessários nomes.

Paixão avassaladora.

II.

Durou quatro dias, cinco abadás, sete trios elétricos, oito motéis, nove becos, dezenas  de fantasias, inumeráveis e indecifráveis bebidas e nenhum preservativo.

Depois da quarta, cinzas e quaresma.

III.

IV.

V.

Sonhadora
Romance

I.

Emilly cresceu ouvindo contos de fadas, ainda morava com os pais, fazia só tarefas domésticas, se preparando para um príncipe.

Ensaiava seu casamento e usava sempre longos vestidos.

II.

Um dia finalmente conheceu Vitor, que também procurava um relacionamento sério, pelo menos um sério, porque queria continuar com outros mais divertidos.

Daí ela finalmente percebeu que ninguém viria salvá-la!

III.

Ela precisava sair do “castelo”, matar seus próprios monstros, parar de depender de beijos e príncipes encantados, tirar aqueles vestidos “bregas” e mostrar que ela era dona de todo poder que buscava nos outros.

IV.

Hoje mora em um trailer turístico e ganha dinheiro levando pessoas a conhecerem lugares que inspiraram castelos de princesas. Conheceu Paulo e vivem cada dia como se fosse o último.

V.

Camila
Romance

I.

Deslizo a mão em seus cabelos grisalhos. Há tanta coisa para contar, sabe? Desde o dia que te conheci, quando de forma inusitada, te atropelei com a minha bike… 



II.

Nossa primeira dança no baile de formatura, nosso primeiro beijo lá na casa dos seus pais…

Depois disso, trabalhando, alugamos uma casinha e vivemos momentos maravilhosos; parecíamos duas crianças brincando sem nunca cansar.

III.

Sofri junto com você no nascimento do nosso primeiro filho, mas deu tudo certo. Aprendi, com muitos erros, a decifrar cada expressão e sentimentos teus. Não fomos para Paris ou Nova York, mas descobrimos muito do nosso Nordeste.

IV.

Hoje, por ironia do destino, você não se lembra mais de mim, nem dos nossos inúmeros momentos juntos.

V.

Mesmo assim, amanhã irei te contar tudo de novo, como se fosse a primeira vez.

A Promessa
Romance

I.

Não foi um dia muito fácil, a dor da perda o perseguia em cada passo que dava.

Lá no fundo sentia que poderia ter feito algo diferente, sei lá, se tivesse segurado com mais força, talvez não a tivesse perdido.

II.

Agora era tarde. O maior clichê da vida é a morte, quando ela chega vemos o que deveria ter sido dito e não foi.

Mas ele não iria embora dali, não sem ela, afinal, fizeram uma promessa de ficarem juntos. Esperaria o quanto fosse preciso na mesma poltrona em que morreu, até ela poder deixar a casa com ele e partirem juntos.

III.

IV.

V.

SciFi
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Farsa
Sci-Fi

I.

Sempre imaginei que em algum lugar, eu seria uma pessoa diferente.
Boa vida, uma casa grande, família de comercial de margarina, tudo aquilo que muita gente batalha a vida inteira para ter.

II.

Não imaginava que, quando conseguisse encontrar esse outro lugar e essa outra vida, a pessoa que ocupava a minha existência seria tudo aquilo que não suportava ver.

III.

IV.

V.

Simbiose
Sci-Fi

I.

Há 70 anos, os humanos aprenderam o que nós, cachorros, sempre soubemos: nunca confie no mensageiro.

Inicialmente o governo abafou o contato, então a invasão começou silenciosa.

II.

A oferta era de paz, mas o plano: assimilação. Quando os aliens terminavam, ninguém podia dizer a diferença.

Ninguém além de nós.

III.

Então o soro K11 foi feito. Super cães que podiam farejar e eliminar “os outros”.

Ao meu lado, Eva rosnou. As ruas fediam, mas eles fediam mais.

-Estão vindo, Rancor.

IV.

Atacamos e minha prótese pesada era uma arma letal. Passei as rodas por cima dos cadáveres e lambi o sangue do rosto machucado da minha amiga.

A luz o refletia azul.

V.

Ela correspondeu o gesto e seus olhos mostraram o mesmo brilho forasteiro.

“O melhor amigo do homem, também seu salvador” haviam dito.

E como sempre, os humanos estavam errados.

Café
Sci-Fi

I.

Chegou na calçada, me olhou, entregou a carta e saiu cantarolando, correndo pela rua. A menina parecia assustada.

Bem, quem é que entrega cartas hoje em dia? Abri o envelope.

II.

As letras mais bizarras que eu já vi... Pareciam códigos de computador, escritos com uma tinta escura e mal cheirosa.

Lembrei da água no fogo, voltei às pressas pra passar o café. Terminando, sentei no sofá e adormeci.

III.

A campainha tocou, me acordando. Tive que atender uma menina estranha no portão.

Abri a porta. Vento gelado e silêncio total. A criança me entregou um envelope e saiu.

IV.

Abri e li: "você está preso num loop".

Criança louca...Dei risada, voltei pra dentro pra terminar de passar o café...

V.

Tempo
Sci-Fi

I.

“O tempo é uma ferramenta que foi criada para controlar as nossas vidas”.

Não me lembro quem me disse isso quando eu era garoto, mas essa visão do tempo me perturbou e me instigou por toda a vida.

II.

Quanto tempo temos?
Porque temos que nos curvar a ele?
E se pudéssemos caminhar por ele?
O que daríamos em troca?

Não me lembro em que momento os primeiros começaram a manipular seu próprio tempo, passado e futuro, pagando a ele com suas próprias vidas.

III.

Eu apenas entendi a teoria das cordas, e aprendi a vibrar em outras frequências, e assim, viver entre momentos.

Eu venci o tempo.
Enganei o tempo.
Paguei ele com vidas de outros.

IV.

Ele deixou de se importar comigo.

Estou assim há eras, tudo já se extinguiu no universo, só restou a escuridão e o silêncio. Não estou vivo e nem morto, apenas sou.

V.

Me tornei prisioneiro do que sempre fugi, no final ele me enganou, e me aprisionou nesse momento infinito.

Devia tê-lo tratado com o devido respeito.

Aliens
Sci-Fi

I.

Quando as primeiras naves apareceram nos céus todos entraram em pânico.

Nossas defesas estavam preparadas para reprimir qualquer tentativa de invasão.

Mas os aliens entraram em contato antes de avançarmos sobre eles.

II.

- Viemos em paz!

- Trouxemos presentes!  

Quando menos esperávamos, atacaram covardemente.

Por muito pouco não fomos exterminados.

III.

Nosso serviço de inteligência capturou alguns aliens vivos e descobrimos o seu planeta de origem.

Não deixaremos que invadam nosso planeta novamente, agora é nossa vez de visitar a casa deles, hoje a noite, atacaremos o Planeta Terra.

IV.

V.

Q.I.
Sci-Fi

I.

– 118!

– Isso é fichinha, contramestre! Este barco tem QI acima de 130.

– E tu, marujo, qual o teu QI?

– Não quero te dizer o meu.
O moço de convés tinha vergonha do QI abaixo da média.

II.

O navio E=MC2 era o primeiro barco comandado pelo aprendizado profundo das máquinas.

O moço do convés ficava intrigado. E se aquele monstro que se movia a 50 nós por hora tivesse algum devaneio cibernético?

III.

Ao limpar os instrumentos, notou uma silhueta na tela. Parecia ser um grande navio se aproximando.

Indiferente, o E=MC2 seguia seu rumo.
O marujo pensou: “Isto não deve estar correto!”

IV.

Temendo o pior, relatou sua desconfiança ao comandante.

O experiente navegador pegou seu binóculo. Logo adiante uma nau se aproximava rapidamente.

Era outro navio inteligente.
A rebelião das máquinas começou pelo mar.

V.

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